
22/06/2023
Manter a floresta em pé e descarbonizar a economia é a grande oportunidade para o desenvolvimento econômico e social da Amazônia e do Brasil. Um modelo econômico que gere crescimento e empregos para a região, reduza desigualdades e valorize as culturas tradicionais sem desmatar é a melhor maneira de colocar isso em prática. É o que comprova o relatório Nova Economia da Amazônia, elaborado pelo WRI Brasil e pela The New Climate Economy, em parceria com mais de 75 pesquisadores e organizações de diversas regiões do país.
O estudo mostra que com desmatamento zero, agropecuária de baixa emissão de carbono e matriz energética apoiada sobretudo em energia solar, a Amazônia Legal registraria um crescimento econômico maior, mais qualificado e mais inclusivo até 2050. Neste cenário, em três décadas, a economia da região teria um saldo de 312 mil empregos a mais e geraria um PIB regional de pelo menos R$ 40 bilhões a mais a cada ano a partir da metade do século. Serão 81 milhões de hectares de florestas adicionais e estoque de carbono 19% maior em comparação com o modelo atual de desenvolvimento baseado em atividades intensivas em desmatamento e emissões. Ao final de 2050 o PIB da Amazônia Legal seria de R$ 1,34 trilhão, com 23,2 milhões de empregos.
“Um novo modelo econômico na Amazônia, pautado pela valorização dos atributos naturais e sociais da região, pode gerar inúmeras oportunidades e empregos inclusivos. Esse formato, que tornará a Amazônia a grande catalisadora da descarbonização de toda a economia brasileira, é, sem dúvida, a maior oportunidade de desenvolvimento econômico e social da história contemporânea do país”, destaca Rafael Feltran-Barbieri, economista sênior do WRI Brasil e um dos autores do estudo.
O estudo descreve uma rota de desenvolvimento para o território compreendido pela Amazônia Legal: uma área de 500 milhões de hectares, correspondente a 59% do território nacional, onde vivem cerca de 28 milhões de pessoas, sendo quase 600 mil indígenas de 198 etnias. Um dos grandes benefícios do modelo proposto é justamente o potencial de inserção social e econômica de diferentes populações. O crescimento de setores e atividades como bioeconomia e restauração florestal geraria mais empregos e renda especialmente para negros e indígenas que em 2050 ocupariam 18,7 milhões de postos de trabalho na Amazônia Legal – 345 mil vagas a mais que no cenário de referência.
Para identificar essa capacidade de inserção social e econômica, os pesquisadores da Nova Economia da Amazônia realizaram uma análise inédita de todas as atividades já desenvolvidas na região e cadeias produtivas para as quais o bioma tem vocação, tais como bioeconomia, conservação e expansão dos ativos naturais por meio da restauração florestal. O cenário considerou a adequação da agropecuária e da matriz energética da região a modelos de produção de baixa emissão de carbono, intensivos em trabalho e capital, e orientados pelo desmatamento zero.
Além do crescimento econômico e da geração de empregos para a população local, a reestruturação da economia proposta no relatório permite que o Brasil atinja a meta de manter as emissões acumuladas líquidas, entre 2020 e 2050, em 7,7 GtCO2 – patamar necessário para o cumprimento dos compromissos assinados pelo Brasil no Acordo de Paris.
“Conseguimos demonstrar que a economia da Amazônia Legal pode crescer e gerar impacto positivo para as pessoas da região sem nenhum novo desmatamento. Também ficou claro que é impossível alcançar as metas climáticas do Acordo de Paris sem acabar com a degradação da Amazônia, e que só o desmatamento zero não basta. É preciso restaurar áreas degradadas e investir pesado na agricultura e pecuária de baixa emissão de carbono”, explica Barbieri. “Fizemos uma análise econômica qualitativa que vai muito além do PIB e da geração de empregos, como se costuma fazer. O estudo mostra que priorizar a Amazônia traria benefícios para todos os brasileiros”, completa.
A matéria na íntegra pode ser lida no CicloVivo
Maior coruja do Brasil é registrada em área de preservação de Valença
02/07/2026
Baleias chegam mais cedo ao litoral e isso pode não ser uma boa notícia
02/07/2026
Recife paga PIX por entulho coletado nas ruas
02/07/2026
Startup de bioingredientes vai conectar Amazônia e mercado global
02/07/2026
Amazônia mostra sinal de mudança funcional para lidar com a seca, aponta estudo
02/07/2026
Ministério da Saúde lança painel de alerta para calor extremo em municípios
02/07/2026
