
22/06/2023
A Prefeitura do Rio deu início, nesta semana, à naturalização da Lagoa Rodrigo de Freitas. O projeto prevê novos 2.600 metros quadrados de espelho d’água, incorporando áreas que ficam constantemente alagadas — em frente ao Parque do Cantagalo e no Parque dos Patins — ao perímetro da Lagoa, oficializando o novo traçado para a ciclovia e fazendo a readequação ambiental desses trechos. A iniciativa é da Subprefeitura da Zona Sul, em parceria com a Fundação Rio-Águas.
As obras começaram na altura do Parque do Cantagalo. Responsável técnico do projeto, o biólogo Mario Moscatelli diz que, nos dois trechos, o solo é extremamente instável por conta de sua composição natural, geralmente formado por silte, argila e turfa, em camadas que podem atingir vários metros de profundidade, ou seja, é praticamente impossível impedir o alagamento em épocas de cheia. A previsão para o término é de 60 dias. Em seguida, as intervenções vão acontecer na área próxima ao Parque dos Patins.
O trabalho será executado em três fases: remoção das instalações urbanas (postes, meio-fio, pista e iluminação); adequação ambiental com o acerto topográfico da área, visando criar as condições ambientais ideais para a implantação do projeto de recuperação da comunidade vegetal, composta por espécies vegetais perilagunares (como grama de mangue, samambaia-do-brejo, algodoeiro de praia e mangue-vermelho), e instalação de cercado protetivo e placas informativas.
Anteriormente, a ciclovia passava na frente da lagoa. Com a mudança, ela passará a ficar atrás da quadra esportiva, que alagava com frequência. Portanto, os desvios que, hoje, já acontecem nos períodos de inundação, passarão a ser a rota oficial. E, em ambos os trechos, a antiga pista de ciclismo dará lugar a várias espécies de vegetação nativa. Ainda há previsão da criação de um observatório de aves para que os visitantes possam ver os pássaros e aproveitar o ar livre.
— Pela primeira vez na história a Lagoa vai voltar a crescer. Estamos oferecendo uma solução verde para resolver problemas causados pelos sucessivos aterramentos que, ao longo de mais de um século, reduziu em 50% sua área original, e, com isso, oficializar o novo trajeto da ciclovia, devolvendo para a Lagoa o que já foi dela — explicou o subprefeito da Zona Sul, Flávio Valle.
Segundo Mario Moscatelli, a Lagoa se estendia à Rua Jardim Botânico, ao Hipódromo da Gávea, ao condomínio Selva de Pedra e à sede do Clube do Flamengo. Com a supressão de suas margens naturais e sua vegetação, houve também uma redução da fauna nativa. O biólogo lembra que, com o trabalho que vem sendo realizado na região desde 1989, é possível observar um aumento de biodiversidade no local e, por isto, ressalta a importância de seguir com as iniciativas.
— Após 34 anos ininterruptos de trabalho, verificamos uma explosão de biodiversidade, potencializada pela melhoria da qualidade da água — diz o biólogo, ressaltando que o processo de naturalização vai resolver a questão dos alagamentos constantes nos dois trechos citados da Lagoa.
Fonte: Extra OnLine
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