
27/06/2023
Na madrugada desta segunda-feira (26), um incêndio atingiu um lixão em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. A cidade amanheceu encoberta por fumaça e alguns moradores tiveram que buscar atendimento médico por dificuldades respiratórias.
Segundo nota da prefeitura, o Corpo de Bombeiros foi acionado às 5h08, chegando ao local às 5h20. As aulas foram suspensas em 35 escolas e 18 creches foram fechadas por conta da densa fumaça que se formou.
As informações preliminares indicam que o incêndio foi criminoso, ainda de acordo com a prefeitura. A população local, no entanto, usa as redes sociais para definir a situação como “tragédia anunciada”.
Teresópolis integra os 10 municípios do Rio de Janeiro que ainda utilizam lixões como destino final de resíduos. Juntas, as cidades de Bom Jesus do Itabapoana, Cambuci, Italva, Itaperuna, Natividade e Porciúncula, no Noroeste Fluminense, além de Cordeiro, Resende, Teresópolis e São Fidelis, encaminham mais de 470 toneladas de lixo diariamente a vazadouros. O levantamento foi feito por pesquisadores do Mestrado Profissional em Ciências do Meio Ambiente da Universidade Veiga de Almeida (UVA).
“Pega fogo porque não extrai o gás metano. Em aterro sanitário, o metano gera energia renovável”, afirmou o deputado estadual Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente, em seu Twitter. Ele explica que o metano é o gás gerado pela decomposição da matéria orgânica e que emite 80 vezes mais calor do que o CO2. A solução, no entanto, já existe: captado e filtrado pode ser transformado em biogás – energia renovável da biomassa, neutro em carbono.
Definido pela prefeitura de Teresópolis como “aterro sanitário do Fischer”, o local de fato era um aterro sanitário, mas em 2018 foi interditado pelo Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e pelo Ministério Público. Isso porque a área se tornou um depósito sem controle do despejo de detritos, inclusive, com chorume escorrendo para um rio na região.
Na época da interdição, a situação já era grave. Uma montanha de lixo e deslizamento de terra do antigo aterro havia desabado, atingindo casas e arrastando veículos. Ainda assim, a prefeitura conseguiu uma licença para seguir depositando resíduos no local.
“Aterros sem o devido acompanhamento do órgão ambiental podem virar lixões num piscar de olhos, ainda mais com a pulverização de áreas de destino final”, ressalta Carlos Eduardo Canejo, professor da UVA.
Casos de incêndios também não são incomuns. Em agosto de 2022, um incêndio atingiu o mesmo lixão. A gestão municipal afirmou então, em nota, que a expectativa era encerrar definitivamente as operações do local até o fim de 2022. Duas soluções, segundo a prefeitura, já eram analisadas para resolver o problema: a construção de um Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos e a construção de uma usina de energia a partir dos resíduos. Não há prazo para que alguma destas propostas saiam do papel.
Fonte: CicloVivo
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