
29/06/2023
Em uma pedreira cercada pelo barulho de maquinário pesado, Jim Mann se agacha e pega um punhado de minúsculas pedras pretas.
"Este é o meu pó mágico", diz ele com um sorriso, esfregando-as suavemente entre os dedos.
Ele está segurando pedaços de basalto —uma rocha vulcânica dura que não é nem rara, tampouco particularmente notável.
Mas, por meio de um processo conhecido como "intemperismo acelerado", poderia ajudar a resfriar nosso planeta superaquecido.
Os cientistas da ONU agora já têm clareza de que apenas a redução das emissões de gases de efeito estufa não será suficiente para interromper os níveis perigosos de aquecimento. Eles dizem que será necessária alguma remoção de dióxido de carbono, ou seja, retirá-lo ativamente da atmosfera.
Plantar árvores é a forma mais natural de fazer isso, mas tem suas limitações: o CO2 capturado é liberado quando a madeira apodrece ou queima —e há limites para a extensão do plantio de árvores.
A tecnologia de Captura Direta de Ar (DAC, na sigla em inglês), enquanto isso, suga mecanicamente o CO2 da atmosfera e o armazena no subsolo; é permanente —mas será que faz sentido investir em um processo com uso tão intensivo de energia quando estamos tentando nos livrar dos combustíveis fósseis?
O intemperismo de rochas acelerado está em algum lugar entre o natural e o artificial. Ele pega o processo de intemperismo natural, mas bastante gradual, e o turbina para remover o carbono mais rápido.
Eu fui até uma pedreira do outro lado do estuário Firth of Forth, de Edimburgo, na Escócia, para conversar com Jim Mann, cuja empresa de intemperismo acelerado, chamada Undo, acaba de garantir £ 12 milhões (aproximadamente R$ 73 milhões) em novos investimentos e pretende ampliar suas operações.
Ao nosso redor, a encosta preta está sendo constantemente corroída, raspada por enormes escavadeiras para fazer concreto e asfalto para as estradas. A vibe é mais pós-apocalipse nuclear do que salvar o planeta.
Mas os pequenos pedaços de basalto que sobram são valorizados pela empresa de Jim. Eles têm uma propriedade útil —quando sujeitos à ação do intemperismo pela chuva, removem o dióxido de carbono da atmosfera.
Por milênios, rochas vulcânicas e falésias removeram lentamente o carbono enquanto sofriam a ação do intemperismo pela chuva.
O intemperismo acelerado usa pedaços minúsculos para aumentar a quantidade de contato entre a chuva e a rocha —e, assim, a quantidade de intemperismo e remoção de carbono.
Seja em uma falésia, ou amontoado numa pedreira, o basalto sofre muito lentamente a ação do intemperismo. Para maximizar a remoção de carbono, ele precisa ser espalhado por uma área maior.
E é aí que entram os agricultores locais, que ajudam o planeta enquanto recebem fertilizantes gratuitos em troca. Além de reter o carbono, o basalto demonstrou em testes melhorar o rendimento das colheitas e a qualidade do pasto.
A meia hora de carro da pedreira, vejo o basalto sendo espalhado em um campo.
Isso não requer equipamento especializado. Uma caçamba sobre rodas é carregada com 20 toneladas de basalto e, na sequência, é rebocada para cima e para baixo por um trator —uma roda giratória na parte de trás dela vai espalhando as pequenas pedras.
"É gratuito, o que é muito importante para um agricultor", diz John Logan com uma risada, enquanto o basalto é colocado em seu campo. Ele tinha visto os testes da Undo em uma fazenda vizinha.
"Parece que vai melhorar a grama, então isso só pode ser bom para o gado, porque eles vão comer uma grama melhor."
Alguns especialistas receiam que técnicas de remoção de carbono como essa possam distrair as pessoas da prioridade mais urgente de reduzir as emissões -e até mesmo serem usadas como justificativa para continuar vivendo nossas vidas intensivas em carbono.
"A redução de CO2 precisa vir em primeiro lugar", afirma Jim, enquanto o trator guiado por GPS sobe e desce pelo campo.
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