
03/07/2023
Proteger áreas do mar situadas próximas da costa, excluindo a pesca, mineração e outras atividades humanas, também pode ajudar as pessoas que vivem nas proximidades, revelou estudo publicado na última quinta-feira dia 29 no periódico Nature Sustainability.
O estudo constatou que as pessoas que vivem perto dessas áreas têm segurança alimentar e renda familiar maiores. A região estudada é o sistema mesoamericano de recifes corais, que se estende da costa leste da América Central por cerca de mil quilômetros ao sul, do México a Honduras.
Para fazer uma comparação entre as populações de peixes das áreas protegidas e não protegidas, os autores do estudo analisaram pesquisas existentes sobre mais de 80 espécies de peixes conduzidas pela organização regional Healthy Reefs for Healthy People Initiative (Iniciativa recifes sadios para pessoas sadias) entre 2005 e 20018. Descobriram que os peixes são 27% mais abundantes nas áreas totalmente protegidas que nas áreas sem proteção. As populações de peixes se mantiveram estáveis ou cresceram com o passar do tempo nessas áreas protegidas.
"A descoberta mais importante, a meu ver, é que as áreas marinhas protegidas podem cobeneficiar humanos e peixes", disse Steven Canty, biólogo marinho do Centro Smithsonian de Pesquisas Ambientais e um dos autores do estudo.
O ecossistema abriga mais de 60 espécies de corais e 500 espécies de peixes. Animais que correm perigo crítico de extinção, como o crocodilo-de-água-salgada e a tartaruga-marinha-comum, vivem perto do recife. Cerca de 2 milhões de pessoas habitam o litoral, e as economias locais são fortemente ligadas ao recife.
Este estudo enfocou Guatemala e Honduras, mas, em todo o mundo, países estão criando mais áreas de proteção marinha. No ano passado, cerca de 190 países firmaram um acordo das Nações Unidas para proteger 30% da terra e dos oceanos do planeta até 2030, em um esforço para frear a perda de biodiversidade. Os Estados Unidos não assinaram o acordo, mas o presidente Joe Biden emitiu em separado uma ordem executiva de proteção de 30% da terra e das águas nacionais.
Cientistas, políticos, indústrias e comunidades discutem há anos se as áreas de proteção marinha funcionam conforme o planejado para sustentar as populações de peixes e se essas áreas ajudam ou prejudicam seus vizinhos humanos. O novo estudo fundamenta a ideia de que as áreas de proteção marinha, pelo menos aquelas em que a pesca está estritamente proibida, também beneficiam a saúde e a renda da população humana local, mesmo em uma região onde as pessoas tradicionalmente dependeram da pesca para sua subsistência.
"Ainda estamos tentando responder algumas dessas perguntas fundamentais —não apenas nessa região, mas em outras— sobre o que funciona e o que não funciona na conservação", disse o biólogo conservacionista Justin Nowakowski, do Centro Smithsonian de Pesquisas Ambientais e autor principal do estudo.
Como outros recifes de corais, este ecossistema está ameaçado pela mudança climática e a pesca predatória. A elevação das temperaturas oceânicas leva os corais a "embranquecer" e morrer e deixa as criaturas vulneráveis a doenças
O oceano está o mais quente do que jamais esteve nesta época do ano. Enquanto a mudança climática continua a ser um desafio de longo prazo para os recifes, disseram os autores, combater a pesca pode aliviar parte da pressão sobre o ecossistema.
As mais antigas áreas de proteção marinha no recife mesoamericano foram criadas nas décadas de 1970 e 1980, e hoje mais de 40 áreas protegidas cobrem metade das águas costeiras da região. Mas a pesca não é totalmente proibida em todas elas. Algumas das áreas apenas limitam quanto os barcos podem pescar ou proíbem determinados tipos de equipamento de pesca.
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