
03/07/2023
O hidrogênio verde, combustível obtido por meio de fontes de energia renováveis, pode ser a chave para a reindustrialização do Brasil e a inserção do país na nova economia global baseada na transição para o baixo carbono.
O tema foi debatido no seminário Energia Sustentável no Brasil, realizado na quarta (28), pela Folha com apoio da Órigo Energia, e do Banco do Nordeste.
O combustível tem inúmeras aplicações, como a substituição de fontes fósseis nos transportes e na indústria, ajudando no cumprimento das metas climáticas previstas no Acordo de Paris, que pretende evitar que a temperatura média suba acima de 1,5ºC.
Entre os estados brasileiros, o Ceará é o que tem maior número de projetos previstos. De acordo com o governador Elmano de Freitas (PT), já foram assinados 30 memorandos de entendimento com empresas nacionais e estrangeiras, com uma sinalização de investimentos acima de US$ 30 bilhões (R$ 145,7 bilhões). Desses, há três pré-contratos já firmados, nos quais a previsão de investimento é de US$ 8 bilhões (R$ 38,8 bilhões).
Freitas afirmou que o Nordeste tem potencial para produzir hidrogênio verde em um volume superior ao que o Brasil pode consumir. Essa condição transforma o país em um exportador do combustível, além de abrir uma nova matriz energética, mais limpa, para a indústria nacional.
"Os desafios para avançar nesta produção estão na regulamentação, no crédito e em um tratamento diferenciado na reforma tributária, que precisa entender que o tema é estratégico", disse ele.
O estado também estuda incluir micro e pequenos geradores no fornecimento de energia solar para os projetos de hidrogênio verde. A ideia é começar com um piloto de geração em assentamentos rurais, de modo que a energia produzida atenda ao consumo das famílias e o excedente possa ser comercializado com as empresas que pretendem produzir o combustível.
Segundo o governador, isso viria acompanhado de um projeto de capacitação de cerca de 100 mil jovens. "A geração distribuída pode ser uma porta de saída do Bolsa Família e formar uma nova classe média no interior do país."
A demanda global pelo hidrogênio verde cria oportunidades para o Brasil de atrair investimentos da ordem de US$ 200 bilhões (R$ 971,5 bilhões) até 2040, segundo estudo da consultoria McKinsey.
O país é competitivo em razão do custo favorável da geração de energia de fontes limpas —já que a energia responde por 70% do custo de produção do hidrogênio verde.
Só a demanda do mercado doméstico, que deve representar 60% do total, pode gerar, até 2040, receitas de US$ 15 bilhões a US$ 20 bilhões (R$ 78,8 bilhões a R$ 97,1 bilhões).
As exportações para EUA e Europa poderiam acrescentar outros US$ 4 bilhões a US$ 6 bilhões (R$ 19,4 bilhões a R$ 29,1 bilhões), segundo a McKinsey.
A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo
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