
03/07/2023
Banhistas que foram à Praia do Vidigal, neste domingo, surpreenderam-se com a presença de duas baleias jubarte perto das pedras do ponto turístico. As imagens foram registradas pelo coletivo Parceiros do Vidiga, apelido do Vidigal, comunidade da Zona Sul do Rio. Daniel Delmiro, fotógrafo de 40 anos que fez os cliques, explica:
— Fui à orla de manhã, estava aquele sol com frio, o clima foi ficando mais gelado, o mar fazendo ondinhas... E as pessoas começaram a dizer que tinha baleia no mar. Algumas acreditavam que que elas estava presa a uma rede. Ao chegar, vi que realmente não pulavam de bico. E que eram mesmo duas. De manhã cedo, elas estavam indo em direção a São Conrado, a partir do Mirante do Leblon.
Biólogo do Instituto Mar Urbano, Ricardo Gomes diz que, mais tarde, mais uma jubarte foi vista na região:Nesta semana, registros com outros animais marinhos chamaram atenção dos banhistas. Zé, um pinguim da espédie pinguim-de-magalhães, apareceu morto na Pedra do Arpoador, também na Zona Sul, após capturar dois baiacus. Os registros em imagem foram feitos por Nathan Lagares e André Cecília, do Instituto Mar Urbano. Ricardo Gomes, biólogo da mesma organização, conta que a morte "pela boca" tem a ver com a falta de costume com a fauna local:
— Ele vem do Sul do continente, não é daqui. Onde vivia, há outros animais que servem de alimento. E, como esse pinguim não está acostumado a baiacu, não tem o instinto de perceber que é venenoso. Ali, entre Arpoador e Ipanema, já vi muitos pinguins nessa época, no inverno. Saiu no jornal, anos atrás, a história de um que virou "surfista" da área, só que sabia caçar, se alimentar... Esse que morreu estava prestes a virar garoto do Rio, em dias anteriores "tirou selfies" com os banhistas... Mas morreu pela seleção natural. Pinguim precisa de milhões de anos de evolução para que esse instinto apareça entre os bichos da espécie (o de saber que a caça é venenosa). Pinguins que comem baiacus não deixam descendentes porque morrem. Então, os que sobram ficam e vivem sem comê-los porque não se atraem, sabem que não é boa caça.
— Parece que elas chegaram às 6h30m da manhã à Laje do Vidigal e ficaram até 10h. Como elas permaneceram no mesmo lugar muito tempo, teve gente achando que tinham ficado presas numa rede. Mas, não. Elas depois subiram para o Arpoador e também em direção às Ilhas Cagarras.
Zé se tornou mascote dos banhistas nesta última semana de junho.
Fonte: O Globo
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