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As possíveis razões dos crescentes ´ataques´ de orcas a barcos

11/07/2023

No verão de 2022, Andrea Fantini e seus companheiros de tripulação navegavam em direção a Tânger, na costa marroquina, na largada de uma regata global, a corrida Globe40, quando um deles gritou de repente: "Orca! Orca!"
Fantini viu um rabo à distância e depois uma enorme orca correr direto para eles. “Vimos a primeira orca chegar, depois a segunda, depois a terceira e então fomos cercados por orcas”, lembra ele.
"Havia sete orcas ao nosso redor e elas começaram a atacar o leme. Foi super estranho e um pouco assustador."
As orcas são comumente conhecidas como baleias assassinas mas, na verdade, fazem parte da família dos golfinhos e nunca foram conhecidas por serem agressivas com os humanos.
Desde 2020, no entanto, o estranho novo comportamento de um grupo delas que vive nas águas ao redor da Península Ibérica, no sudoeste da Europa, tem alarmado marinheiros, cientistas e agora uma audiência global.
Os cetáceos parecem ter inventado um novo jogo arriscado: perseguir veleiros e empurrar os lemes, quebrando-os no processo.
Na semana passada, foi amplamente divulgado que uma orca havia batido em um barco no Mar do Norte. Alguns dias antes, uma orca "atacou" barcos de corrida perto do Estreito de Gibraltar.
Os cientistas preferem chamar esses confrontos de "interações", já que a intenção das orcas pode ser lúdica em vez de hostil (explicaremos mais sobre isso depois).
É um fenômeno sem precedentes, diz Alfredo López Fernández, pesquisador de orcas do Grupo de Trabalho de Orcas Atlânticas (GTOA, na sigla em inglês), que monitora as orcas ibéricas.
Historicamente, houve alguns relatos de orcas mergulhando sob barcos, ou batendo neles e fazendo-os afundar.
Mas López diz que esses casos tendem a ser isolados e vinculados a uma situação específica: "Nenhum deles é semelhante ao que está acontecendo agora."
Agora as orcas tocam, empurram e até giram barcos, de acordo com uma análise das interações relatadas em 2020.
López adverte que nossa própria percepção disso pode ser tendenciosa.
Uma colisão, quando as orcas movem o barco ou o leme com a cabeça e o corpo, na verdade pode ser apenas algo ligado ao fato de "elas não conseguirem segurar as coisas com os dedos".
Um novo projeto de pesquisa em andamento do especialista em orcas Renaud de Stephanis, que envolve apresentar lemes fictícios aos animais selvagens e filmá-los, revelou novos insights sobre esses encontros. O que parece estar acontecendo é que, em vez de morder os lemes, as orcas os empurram com o focinho até que se quebrem.
"Elas estão empurrando, empurrando, empurrando — e boom! É um jogo. Imagine uma criança de 6 ou 7 anos, mas com um peso de três toneladas. É isso, nada menos, nada mais", disse Stephanis à BBC.
"Se elas quisessem destruir o barco, elas o quebrariam em 10 minutos."
Stephanis estuda as orcas ibéricas desde a década de 1990 e é coordenador e presidente da Conservação, Informação e Investigação de Cetáceos (CIRCE, na sigla em inglês), uma organização de conservação marinha.
O jogo parece estar se espalhando. Em 2022, foram 207 interações, mostraram dados do grupo de trabalho, ante 197 em 2021 e 52 em 2020.
Originalmente, elas aconteciam principalmente no Estreito de Gibraltar e arredores, ao longo das costas de Portugal, Espanha e Gibraltar, mas o campo se ampliou para incluir as costas do Marrocos e da França.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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