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Crime ambiental: biólogo denuncia supressão de manguezal no entorno do Parque Olímpico, na Barra

11/07/2023

O biólogo Mario Moscatelli denuncia a ocorrência de um crime ambiental no entorno do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, nos últimos dias: a supressão de manguezais ao longo de dois quilômetros, às margens da Lagoa de Jacarepaguá, uma área sob gestão de sua equipe em parceria com a concessionária de saneamento Iguá. O caso foi reportado à Secretaria municipal de Meio Ambiente e Clima, a Smac. Outra medida adotada pelo ambientalista e a empresa foi a instalação de dez placas alertando que o trecho é uma Área de Preservação Permanente e que o corte de vegetação configura atitude criminosa.
— Nunca havia acontecido corte de manguezal no entorno do Parque Olímpico. Foram suprimidos espécimes de grande porte para os padrões da região. Para aquelas árvores chegarem ao tamanho em que se encontravam quando foram cortadas leva dez anos, entre coleta da semente, produção da muda, plantio e manutenção. É muito tempo de trabalho, para ser destruído em poucos minutos — lamenta Moscatelli. — Quem corta manguezal é criminoso e pode ir para a cadeia, além de pagar multas.
O biólogo destaca que, há mais de um ano, ele e a Iguá fazem a gestão de uma área de 30 mil metros quadrados de manguezal na região, incluindo serviços de limpeza de margens e combate à presença de espécies que comprometem o desenvolvimento da vegetação.
— A biodiversidade da zona costeira, incluindo peixes, aves, crustáceos e mamíferos marinhos, depende da existência dos manguezais. Ele funciona como um eficiente filtro das águas e do ar, visto que sequestra em média quatro vezes mais e concentra dez vezes mais gás carbônico que qualquer outro ecossistema. É essencial para a qualidade de vida humana, já que protege as margens de lagoas, baías e rios do processo erosivo, além de ser essencial para atividades que variam do ecoturismo à pesca artesanal. É o famoso "mil e uma utilidades", sem contraindicação e, por isso, protegido integralmente como Área de Preservação Permanente desde o antigo código florestal de 1965 — explica o especialista.
— É o único legado olímpico ambiental para o sistema lagunar de Jacarepaguá — acrescenta.
A Smac informa que será implementado o programa Guardiões dos Mangues nessa região, com o objetivo de realizar a manutenção e proteção ambiental da área. O programa, explica, capacita pessoas da comunidade para a limpeza dos manguezais. Essas pessoas terão diálogo direto com a secretaria e poderão reportar possíveis crimes ambientais.Acrescentou que sempre que verifica alguma infração, a pasta, através da Patrulha Ambiental, aciona os responsáveis, que podem ser autuados com multa, a depender da gravidade do crime.

Fonte: O Globo

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