UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Novo sistema pode prever incêndios no Cerrado em tempo real

13/07/2023

O Cerrado é a savana mais biodiversa do mundo e abriga 33% de toda a biodiversidade brasileira. Mas, impactado pela expansão da agropecuária, encontra-se hoje fortemente ameaçado. Ao lado de uma política efetiva de preservação, uma questão crucial a ser resolvida é o manejo do fogo. O Cerrado brasileiro é o bioma mais afetado por incêndios florestais em toda a América do Sul. E esses eventos estão se agravando globalmente devido às mudanças climáticas, como ficou evidenciado no desastre ocorrido em junho no Canadá.
Um sistema on-line capaz de prever a propagação de incêndios foi desenvolvido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Artigo a respeito foi publicado na revista Scientific Reports.
“O sistema é o único do mundo capaz de prever a propagação de incêndios em tempo quase real. Utiliza imagens de sensoriamento remoto juntamente com dados de clima e relevo para simular a propagação do fogo em todo o bioma e apresenta uma taxa de acerto que chega a 89%. A resolução espacial é de 25 hectares para a maior parte do bioma e de 0,04 hectare, bem mais refinada, para nove Unidades de Conservação [UCs]”, diz o primeiro autor do artigo, Ubirajara Oliveira, professor na pós-graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais da UFMG, onde também atua como pesquisador no Centro de Sensoriamento Remoto.
Oliveira informa que, com esse novo recurso, a propagação do fogo é simulada três vezes ao dia em todo o Cerrado. “Para isso, o sistema carrega automaticamente dados que possibilitam conhecer as fontes de ignição, a abundância de material combustível, a umidade da vegetação e a probabilidade de queima. Até agora, nenhuma iniciativa global ou regional oferecia um conjunto de soluções semelhantes, principalmente no que diz respeito à previsão totalmente automatizada de propagação em tempo praticamente real e à alta resolução das imagens de satélite”, afirma.
Dada uma determinada fonte de ignição, o sistema consegue prever a direção da propagação do fogo, a duração da queima, a área total que poderá ser queimada, o consumo de biomassa e as emissões de dióxido de carbono (CO2) resultantes. O modelo incorpora as condições climáticas e o efeito de uma série de fatores antropogênicos, como o zoneamento da terra e a proximidade de rodovias e áreas urbanas.
Como as demais savanas do mundo, o Cerrado evoluiu na presença do fogo. E suas plantas se adaptaram a isso. As árvores rústicas são, com frequência, revestidas por tecido vegetal espesso, constituído por células mortas, que envolve os troncos e os galhos. Quando a área queima, esse súber (tecido formado por várias camadas de células mortas e impregnadas de suberina, uma substância de origem lipídica) faz o papel de isolante térmico, protegendo os tecidos vivos internos. O súber queima, mas a árvore sobrevive e um novo súber é formado. Quanto ao estrato herbáceo, formado por gramíneas e ervas, e às plantas miúdas, o grande fator de resiliência são as raízes e os órgãos subterrâneos de reserva. Estes armazenam as gemas, que promovem a rebrota depois que a área pega fogo.
Utilizado de forma preventiva, inteligente e criteriosa, com zoneamento da área total e cronograma de queima, em sistema de rodízio, o fogo é indispensável para a preservação e a renovação do Cerrado (leia mais em: agencia.fapesp.br/25865; agencia.fapesp.br/37775/; e agencia.fapesp.br/40988/).
Muito diferente, porém, é o uso indiscriminado e muitas vezes criminoso do fogo, com vistas a eliminar as plantas nativas e preparar a terra para a agricultura e a pecuária extensivas. Ou os incêndios descontrolados, alimentados pelo acúmulo de material combustível após vários anos sem queima e que se propagam de maneira desastrosa, comprometendo a capacidade de regeneração da vegetação e a sobrevivência dos animais, que ficam presos em meio às chamas, sem área de escape.
Para evitar tais ocorrências é que o sistema de previsão de propagação de incêndios foi desenvolvido. “Ele aponta um caminho para otimizar a prevenção e o combate a incêndios. A plataforma já está sendo usada nas operações diárias das Unidades de Conservação selecionadas”, ressalta Oliveira.

Termine de ler esta matéria acessando o CicloVivo

Novidades

Dragão-de-komodo? Lagarto de grandes proporções é flagrado caminhando pela areia da Praia da Barra; veja vídeo

08/10/2026

Por alguns instantes, quem viu o animal ao vivo ou assistiu ao vídeo que relatava sua presença na Pr...

Jacareí vai plantar mil árvores com ajuda de moradores

08/10/2026

Mais de 1.000 plantios para embelezar e refrescar a cidade. É o que os moradores de Jacareí podem es...

País tem 30 milhões de crianças sob risco climático e El Niño forte pode agravar cenário, alerta Unicef

08/10/2026

Mais de 30 milhões de crianças estão expostas a dois ou mais riscos climáticos no Brasil, segundo an...

Seca e calor extremos do último El Niño antecipam ´novo normal´ nas florestas tropicais

08/10/2026

Cerca de 75% das áreas das florestas tropicais do mundo enfrentaram pelo menos seis meses de seca e ...

A embalagem flexível é vilã ou aliada da sustentabilidade?

08/10/2026

A leveza que torna o material eficiente na fábrica é a mesma que o faz perder valor na cooperativa. ...

Ambulância solar leva atendimento a áreas remotas do Quênia

08/10/2026

Em regiões rurais do Quênia, chegar a um hospital pode ser um desafio que começa muito antes de uma ...