
13/07/2023
O litoral norte de São Paulo registra recorde de passagens de baleias jubarte neste ano. Segundo a rede de colaboradores do Projeto Baleia à Vista (ProBaV), cerca de 330 delas foram vistas desde junho até este domingo (9) —o melhor período para visualização vai até meados de agosto.
Segundo o pesquisador Julio Cardoso, 75, um dos responsáveis pelo ProBaV e conselheiro do Instituto Baleia Jubarte, em média, 30 delas têm sido visualizadas, fotografadas ou filmadas, entre Ilhabela e São Sebastião, todos os dias nas últimas semanas.
O projeto conta com uma rede de informações formada pesquisadores, biólogos, pescadores, operadores de turismo, donos de pousada e funcionários de restaurantes espalhados pela região, entre outros.
Segundo a Prefeitura de São Sebastião, apenas na semana passada (até sexta-feira, 7), foram avistados 56 exemplares de jubartes, além de uma baleia franca.
No ano passado, cerca de 200 baleias jubarte foram registradas durante todo o período de passagem, afirma o instituto. "Porém, até o fim de junho, o número foi bem menor, cerca de 20, porque elas atrasaram", aponta o pesquisador.
"Depois disparou em julho [de 2022], mas já está muito maior neste ano", afirma.
Durante o inverno, as jubartes migram da Antártida para a costa sul da Bahia, principalmente à região do arquipélago de Abrolhos, em busca de águas mais quentes para reprodução e amamentação. O litoral norte de São Paulo faz parte da rota.
A população destes animais no litoral brasileiro disparou nos últimos anos. Segundo dados do Instituto Baleia Jubarte, aproximadamente 25 mil delas passaram pelo país no segundo semestre de 2022.
O crescimento, para especialistas, reflete o fim da caça, proibida em 1966, período em que a população foi reduzida a menos de 5%, algo entre 600 e 800 indivíduos.
Desde 2016, quando transformou o hobby em um projeto de ciência cidadã e fundou o Baleia à Vista, Cardoso catalogou mais de 400 espécimes de jubarte, orca, tropical (bryde), franca austral e cachalote-anão na baía de Ilhabela. A experiência foi registrada em nove publicações científicas.
Segundo Cardoso, nesta segunda-feira (10), um filhote foi gravado nadando ao lado da mãe e de outra jubarte próximo ao canal que é próximo de onde cruzam as balsas que ligam São Sebastião a Ilhabela ou passam grandes navios.
O canal costuma atrair as baleias por causa de sua profundidade e por estar em uma rota de corrente marítima ascendente, o que favorece a presença de cardumes, principal alimento para esses animais.
"Pode ser uma indicação de que [o filhote] nasceu por aqui", diz.
Os três animais foram filmados com uso de drone por uma operadora de turismo.
"Foram dados alertas para embarcações, pois as baleias estavam na rotas de navios", explica, citando o terminal da Petrobras em São Sebastião, onde atracam petroleiros.
Neste ano, diz, estão sendo vistas muitas fêmeas, aparentemente em época de acasalamento, com machos próximos. "A imagem proporcionada por essas baleias é maravilhosa."
O fim da caça, associada a medidas como a redução do atropelamento por embarcações e do emalhe acidental em equipamentos de pesca, criou condições para o aumento do número das baleias desta espécie.
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
Maior coruja do Brasil é registrada em área de preservação de Valença
02/07/2026
Baleias chegam mais cedo ao litoral e isso pode não ser uma boa notícia
02/07/2026
Recife paga PIX por entulho coletado nas ruas
02/07/2026
Startup de bioingredientes vai conectar Amazônia e mercado global
02/07/2026
Amazônia mostra sinal de mudança funcional para lidar com a seca, aponta estudo
02/07/2026
Ministério da Saúde lança painel de alerta para calor extremo em municípios
02/07/2026
