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Conheça o ‘green dating’, termo para o relacionamento entre pessoas que defendem o meio ambiente

18/07/2023

Era para ser só uma ficada. Hoje, ele leva o meu copo retrátil de silicone no bolso para eu não precisar beber em um descartável”, brinca a professora de Geografia Mariana Nunes ao falar sobre a parceria do noivo na execução de práticas ecológicas diárias. Vegana e ativista da causa ambiental desde a infância, a carioca, de 24 anos, estabeleceu como um dos critérios principais para engatar em seu atual relacionamento o respeito e o cuidado com o meio ambiente. “É muito difícil manter uma relação com alguém que não se preocupa em como seus atos podem gerar danos à natureza e, logo, à própria sociedade em que vive.”
O exemplo de Mariana com o noivo materializa uma tendência de relacionamento, o “green dating”, termo cunhado por usuários de aplicativos de namoro que buscam por conexões românticas que estejam alinhadas com o equilíbrio ecológico. De acordo com uma pesquisa do Bumble, realizada neste ano, 69% dos usuários com idades entre 18 e 34 anos acham importante estarem cientes de como suas atitudes podem impactar o meio ambiente, e 59% afirmam querer engatar relações com pessoas que compartilhem das mesmas opiniões sobre sustentabilidade e responsabilidade ambiental. “Há disponível uma tag para identificar indivíduos favoráveis à causa. Queremos que os membros de nossa comunidade se sintam à vontade para dividirem seus valores”, diz Javier Tuiran, diretor de Comunicações do Bumble para a América Latina.
A oposição de valores, como os relativos à agenda ambiental entre casais, não é necessariamente um sinal de que o relacionamento está fadado ao fracasso, como bem analisa a psicóloga Gisele Aleluia. A chance de sucumbirem a conflitos acirrados, no entanto, poderá ser maior, porque o outro precisará abrir mão de questões que considera fundamentais. “Os valores estão vinculados aos projetos de vida, às escolhas. São as nossas referências que, compartilhadas, constituem a base de um relacionamento sólido e estável. Se a pessoa estiver com alguém com valores completamente diferentes, tudo terá de ser muito negociado”, explica a profissional.
Há 4 anos, a psicóloga Annie Donato, de 40, converteu-se a um estilo de vida sustentável e passou a viajar com mais frequência ao Pantanal com ONGs dedicadas a proteger o bioma das queimadas. Entre as práticas ecológicas adotadas no dia a dia, a separação do lixo, a compostagem e a busca por um amor no ambiente virtual ou fora dele que respeite e que esteja alinhado com a causa ecológica. “Já deixei de sair e responder a várias pessoas por conta dessa falta de consciência e preocupação com a natureza. Disseram que era frescura da minha parte”, comenta a paulistana. “Sinto tesão por quem quer mudar a si e o mundo, que se importa com o assunto da sustentabilidade.”
Tesão em mulheres engajadas com a proteção ao meio ambiente foi justamente o que alçou Sergio Marone, de 42 anos, a um dos nomes mais comentados nas redes sociais nas últimas duas semanas. Durante uma entrevista, o ator, também empreendedor no ramo de dermocosméticos sustentáveis com a Tukano, assumiu ser “ecossexual”. “O meio ambiente não é uma pauta de início quando estou interessado em alguém, mas fico sempre atento às atitudes e aos comportamentos”, conta o artista. “Escovar os dentes com a torneira aberta, tomar banhos demorados e não reciclar são atos que me fazem perder o desejo por uma pretendente.”
Wagner Andrade, CEO e head de inovação do Menos 1 Lixo, destaca a potencialidade do caráter menos individualista de um parceiro transferir ou compartilhar valores vinculados à proteção ambiental. “Diante desse momento tão desafiador, é importante que a gente resgate esse lugar de conexão com pessoas que seguem os mesmos ideais e de mobilização coletiva. A pauta ambiental ainda é imbuída de academicismos, não acessa o dia a dia. O romance pode torná-la muito mais sexy, divertida e colorida.”
Assim é o mundo que se quer.

Fonte:O Globo

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