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Americanos buscam casas à prova de catástrofes diante de crise climática

18/07/2023

O engenheiro de software aposentado John duSaint comprou recentemente um terreno perto de Bishop, na Califórnia, em um vale inóspito a leste de Serra Nevada, nos EUA. Trata-se de uma área considerada de risco para incêndios, temperaturas diurnas altas e ventos fortes, além de nevascas fortes no inverno.
Mas DuSaint não está preocupado com as mudanças climáticas locais. Isso porque ele pretende viver em um domo geodésico.
A estrutura desse domo tem quase nove metros de altura e será revestida com telhas de alumínio que refletem o calor e são resistentes ao fogo. Como tem uma superfície menor que uma casa retangular, é mais fácil de isolar contra o calor ou o frio. E é capaz de resistir a ventos e nevascas fortes.
"A parte externa da cúpula é basicamente impenetrável", disse DuSaint.
Com as condições meteorológicas cada vez mais extremas, domos geodésicos e outros designs de casas resilientes vêm ganhando mais atenção de pessoas com consciência climática interessadas em comprar uma casa —e dos arquitetos e construtores.
A tendência pode começar a desalojar a inércia subjacente à dificuldade dos EUA em se adaptar à crise climática. Existem tecnologias que podem proteger casas contra condições severas, mas essas inovações têm demorado a ser aceitas na construção residencial convencional, deixando os americanos cada vez mais expostos a choques climáticos, dizem especialistas.
O resultado disso não é apenas um risco mais elevado de ferimentos ou até morte, mas também de calamidade financeira, com os donos de casas enfrentando a desvalorização dos imóveis, sem conseguir seguro para eles ou até a perda do bem —em muitos casos, o mais valioso que possuem. Além disso, o custo emocional e social de perder a casa em desastres naturais está apenas começando a ser entendido.
Dados do censo mostram que em 2022, desastres ligados ao clima obrigaram mais de 3,3 milhões de americanos a deixar suas casas. Pelo menos 1,2 milhão dessas pessoas passaram um mês ou mais fora de suas residências, e mais de 500 mil nunca voltaram a elas, alimentando uma diáspora crescente de refugiados climáticos.
No átrio do Museu Nacional de História Americana do Instituto Smithsonian, voluntários terminaram recentemente de remontar "Weatherbreak", um domo geodésico construído há mais de 70 anos e que foi usado por pouco tempo como residência em Hollywood Hills, em Los Angeles. Foi um projeto de vanguarda na época: cerca de mil suportes de alumínio aparafusados para formar um hemisfério com 7,6 metros de altura e 15 metros de largura, evocando um grande iglu de metal.
Agora, com a Terra em processo de aquecimento, a estrutura ganhou nova relevância.
"Começamos a estudar como nosso museu pode responder à mudança climática", disse Abeer Saha, o curador que comandou a reconstrução do domo. "Os domos geodésicos chamaram nossa atenção como uma maneira em que o passado pode apontar uma solução para nossa crise habitacional, de uma maneira que até agora não recebeu a atenção devida", acrescentou.
Os domos são apenas um exemplo dos esforços de inovação que estão sendo promovidos. Casas feitas de aço e concreto podem ser mais resilientes ao calor, incêndios e tempestades. Mesmo as tradicionais, com estrutura de madeira, podem ser construídas de maneira a reduzir fortemente as chances de serem fortemente danificadas por furacões ou enchentes.
Mas essas adaptações podem implicar em custos 10% mais altos do que a construção convencional. Esse valor a mais, que frequentemente se paga mais adiante graças aos custos menores de reparos após um desastre, é um problema já que a maioria das pessoas que compra casa própria não sabe o suficiente sobre construção para exigir padrões mais elevados. Os construtores, por sua vez, relutam em acrescentar resiliência, temendo que os consumidores não se disponham a pagar por elementos que não entendem.
Uma maneira de resolver esse problema seria endurecer os códigos de edificação, que são definidos aos níveis estadual e local. Mas a maioria dos lugares não adota o código mais recente, se é que exige quaisquer padrões de edificação obrigatórios.

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