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Sucateada, indústria petrolífera da Venezuela polui o meio ambiente

27/07/2023

Todas as manhãs, José Aguilera inspeciona as folhas de suas bananeiras e pés de café em sua fazenda no leste da Venezuela e calcula quanto poderá colher —quase nada.
Explosões de gás de poços de petróleo próximos expelem um resíduo oleoso e inflamável sobre as plantas. As folhas queimam, secam e murcham.
"Não há veneno capaz de vencer o petróleo", disse ele. "Quando ele cai, tudo seca."
A indústria petrolífera da Venezuela, que ajudou a transformar seu destino, foi dizimada pela má administração e muitos anos de sanções impostas pelos Estados Unidos ao governo autoritário do país, deixando para trás uma economia e um meio ambiente devastados.
A petrolífera estatal tem lutado para manter uma produção mínima para exportação, assim como para consumo interno. Mas, para tanto, sacrificou a manutenção básica e usou equipamentos cada vez mais precários, o que gerou um crescente impacto ambiental, segundo ativistas do meio ambiente.
Aguilera mora em El Tejero, cidade a cerca de 480 km a leste de Caracas, a capital, numa região rica em petróleo conhecida por cidades que nunca veem a escuridão da noite. Explosões de gás dos poços de petróleo acontecem a qualquer hora com um ruído estrondoso, suas vibrações rachando as paredes das casas frágeis.
Muitos moradores sofrem de doenças respiratórias, como asma, que, segundo os cientistas, podem ser agravadas pelas emissões das explosões de gás. A chuva traz uma película oleosa que corrói o motor dos carros, escurece as roupas brancas e mancha os cadernos que as crianças levam para a escola.
Ainda assim, paradoxalmente, a escassez generalizada de combustível no país que tem as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo significa que praticamente ninguém nesta região tem gás de cozinha em casa.
Logo depois que o presidente Hugo Chávez, um tenente-coronel do Exército, subiu ao poder, na década de 1990, com promessas de usar a riqueza do petróleo do país para ajudar os pobres, ele demitiu milhares de trabalhadores do setor, incluindo engenheiros e geólogos, e os substituiu por apoiadores políticos. Também assumiu o controle de ativos de propriedade estrangeira e negligenciou os padrões ambientais e de segurança.
Então, em 2019, os Estados Unidos acusaram o sucessor de Chávez, o presidente Nicolás Maduro, de fraude eleitoral e impuseram sanções econômicas, incluindo a proibição das importações de petróleo venezuelano, para tentar forçá-lo a deixar o poder.
A economia do país entrou em colapso, ajudando a alimentar um êxodo em massa de venezuelanos que não podiam sustentar suas famílias, enquanto Maduro mantinha seu poder repressivo.
Depois de quase parar, o setor petrolífero teve uma recuperação modesta, em parte porque o governo Biden permitiu no ano passado que a Chevron, última empresa americana produtora de petróleo na Venezuela, reiniciasse as operações de forma limitada.
As dificuldades da indústria petrolífera nacional foram agravadas por uma investigação de corrupção sobre o dinheiro do petróleo desaparecido que até agora levou a dezenas de prisões e à renúncia do ministro do petróleo do país.
No leste da Venezuela, refinarias enferrujadas queimam gás metano, que faz parte das operações da indústria de combustíveis fósseis e é um importante fator do aquecimento global.

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