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Cidades da Europa recorrem a construções sustentáveis para aliviar onda de calor

01/08/2023

Não existe nenhuma técnica arquitetônica que seja capaz de resolver por si só o problema do calor sufocante que tomou conta de grande parte da Europa neste verão do hemisfério Norte.
Mas em um continente onde o ar condicionado é relativamente limitado, técnicas de construção sustentável podem ajudar a proteger a população, dizem especialistas.
Esses elementos, que incluem pátios, persianas pesadas, pintura reflexiva e fachadas de pedra branca, podem manter as casas frescas e reduzir a necessidade de ar condicionado. O problema, especialmente para as cidades mediterrâneas que vêm enfrentando temperaturas escaldantes neste verão, é que muitas edificações mais novas foram construídas usando estilos ocidentais que retêm o calor, disse Marialena Nikolopoulou, professora de arquitetura sustentável na Universidade de Kent, na Inglaterra.
"Começamos a importar a arquitetura ocidental e esquecemos as tradições locais", disse Nikolopoulou.
Ela estava em Atenas, a capital mais quente do continente –com uma temperatura máxima diária de 33,4ºC, em média, em julho— e uma das mais densamente povoadas. Edifícios altos modernos e o uso de materiais como asfalto em vias públicas retêm o calor, contribuindo para o efeito de "ilha de calor", que torna as cidades mais quentes que as áreas rurais em volta. A onda de calor na Grécia levou a condições de seca extrema que têm alimentado incêndios em partes do país.
Nos Estados Unidos, algumas pessoas e empresas estão investindo em técnicas de baixo custo para ajudar a resfriar construções, como pintar os telhados de branco ou outra cor reflexiva, que possam aumentar a eficiência energética das unidades com ar condicionado. Na Flórida, o condado de Miami-Dade obteve milhões de dólares de recursos federais para ajudar a equipar residências e imóveis comerciais e deixá-los mais frescos no verão.
Em países mediterrâneos como Grécia, Itália, Espanha e Portugal, as casas tradicionais tendem a incluir elementos que permitem a passagem da brisa. Paredes espessas ajudam a absorver o calor durante o dia e liberá-lo à noite, e elementos que fornecem sombra, como pérgolas, também ajudam a manter os moradores refrescados e reduzir a exposição ao sol, disse Catalina Spataru, professora de energia e recursos globais no Instituto de Energia do University College London. Vielas estreitas nos centros de algumas cidades e ruas arborizadas também oferecem sombra para os pedestres.
A Europa vem sofrendo ondas de calor mais frequentes e mais intensas que muitas outras partes do mundo, e muitas casas não possuem ar condicionado. Os governos de Grécia, Itália e Espanha adotaram medidas para proteger a população do calor, entre as quais direcionar as pessoas para espaços públicos em que possam se refrescar, sistemas de aviso de calor extremo e planos para a criação de parques pequenos nos bairros, nos quais a temperatura pode ficar alguns graus abaixo das ruas em volta.
Especialistas em resfriamento dizem que a dependência crescente do ar condicionado, com seu alto consumo de energia, não é uma solução sustentável. Aparelhos convencionais de resfriamento, incluindo ar condicionado e geladeiras, já são responsáveis por até 10% de todas as emissões mundiais de gases estufa, segundo relatório do Banco Mundial publicado em 2019. É o dobro das emissões geradas pela aviação e as viagens marítimas somadas, segundo o relatório.
As vendas anuais de aparelhos de ar condicionado triplicaram em todo o mundo desde 1990, segundo a AIE (Agência Internacional de Energia), organização intergovernamental que fornece recomendações de políticas públicas para o setor energético global. Em 2022, 89% das residências americanas tinham ar condicionado, contra 19% na Europa, segundo a agência.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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