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Manto tupinambá e ossada de baleia são alguns dos novos tesouros que são um presente para o Museu Nacional

01/08/2023

Candidato a nova estrela do Museu Nacional, no Rio, o manto tupinambá do século XVII chegou à Europa em 1689 e passou mais de 300 anos em exibição no Museu Nacional da Dinamarca, em Copenhague. Vai dividir as atenções com uma coleção de arte greco-romana, cerâmicas africanas de diversas origens e um tigre morto num safári por um caçador brasileiro, preservado com técnicas de taxidermia, entre outras peças. É uma das preciosidades da campanha, iniciada há quase dois anos, em prol de doações para recompor o acervo da instituição, destruído por um incêndio em setembro de 2018. Já foram 8.591 itens recebidos, que serão usados em futuras exposições e pesquisas. Uma amostra das novas peças já tem até data para ser apresentada ao público: 6 de junho de 2024, quando o espaço completa 206 anos.
— Vamos reabrir parcialmente a sala principal, onde hoje, na entrada, é exibido o meteorito Bendengó. Nessa fase, os principais elementos serão o manto tupinambá e a ossada de uma baleia cachalote — conta o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner.
Atualmente, a ossada está na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, e começará a ser desmontada nos próximos dias. Maior animal com dentes encontrado hoje no mundo (pode chegar a 20 metros), o cetáceo encalhou no Ceará, em 2014.
— Nossa meta é reabrir tudo em 2028, com outra entrega parcial. Para isso, vamos precisar que os recursos prometidos cheguem tanto da União quanto da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que se dispôs a repassar R$ 20 milhões. Até 2028, vamos precisar de R$ 450 milhões Museu Nacional — acrescenta o diretor.
Parte do acervo também será mostrada em um Centro de Visitantes em construção em outro terreno de São Cristóvão, na Zona Norte carioca, ainda sem data para ser aberto.
Entre os demais elementos dos mares, um deles é conhecido do público que frequentava o AquaRio: o corpo preservado da tubarão fêmea Margarida, que morreu em 2021.Parte dos 8.591 novos itens será incorporada à reserva técnica, e alguns podem ser usados em pesquisas.
A historiadora Renata Baltar, assessora de Cooperação Nacional e Internacional para novas aquisições, observa que a meta é chegar a 10 mil opções para apresentar ao público.
— Na prática, como muitos elementos recebidos são de uma mesma fase ou de espécimes semelhantes, o número de peças aptas para exibição hoje seria de 1.409 — diz Renata.
O exemplar ‘‘queridinho’’ de Renata é a réplica do fóssil de um peixe Celacanto — o original do acervo do Museu Nacional foi destruído no incêndio. A obra, produzida em 3D a partir de um celacanto original, veio do Museu de História Natural de Paris, que tinha um fóssil original no acervo.
Entre os doadores estão o músico Nando Reis e seu pai, que cederam coleções de conchas. O agente da Polícia Federal Ivan Ferreira Pinto, que participou da perícia feita para investigar as causas do incêndio, doou 1.042 borboletas e mariposas capturadas por três gerações de sua família no Parque Nacional da Tijuca.
— Meu avô foi zelador do parque e começou a coleção. Meu pai me levava quando criança para capturar borboletas na mata. Trabalhei no museu nos anos 1980. O incêndio foi um dos dias mais tristes da minha vida. Quis colaborar — conta o policial.

Fonte: O Globo

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