
03/08/2023
O Dia da Sobrecarga da Terra é a data do ano em que a demanda da humanidade por recursos naturais supera a capacidade do planeta de produzir ou renovar esses recursos ao longo de 365 dias. É como se ultrapassássemos o limite, entrando no vermelho e passando a usar o “cheque especial” da Terra.
Em 2023, essa data chega nesta quarta-feira, dia 2 de agosto. Atualmente, para atender os padrões de consumo da humanidade – e isso inclui também toda a estrutura construída para sustentá-la – seriam necessários 1.7 planetas Terra, segundo a Global Footprint Network, que realiza o cálculo desde 1971.
Essa é uma chamada de alerta para a humanidade: em apenas sete meses, foi consumido mais água, matérias-primas, solos e outros recursos naturais do que a Terra é capaz de regenerar em um ano.
Até o final de dezembro estaremos em dívida. As emissões de gases de efeito estufa continuam aumentando, superando a capacidade de absorção das florestas e dos oceanos, agravando ainda mais o aquecimento global e a crise climática.
“Mudar nossa forma de produção e consumo, desde a compra até o uso e o descarte, para modelos mais conscientes e sustentáveis, é uma das soluções. Praticando o consumo consciente, podemos regenerar ecossistemas e aliviar a carga pesada que impomos ao planeta”, observa Felipe Seffrin, coordenador de comunicação do Akatu.
A Sobrecarga da Terra está intrinsecamente ligada à crise climática e ambas precisam ser enfrentadas de forma conjunta, urgente e eficaz, incluindo ações de regeneração de biomas, de redução de emissões e de mitigação e adaptação climática.
Ao consumir recursos naturais em excesso – uma das principais características da humanidade – e, destruir florestas e áreas verdes para suprir nossa demanda de produção e consumo, estamos contribuindo para altas taxas de emissões além de gerar toneladas de resíduos que prejudicam a água, os solos e o ar.
Esse problema é recorrente, pois desde a Revolução Industrial, no século 18, despejamos milhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera que levaram a um aquecimento de 1,1ºC da Terra, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Essa elevação no aquecimento da Terra, até pode parecer pouco, mas é o suficiente para representar riscos a espécies, ecossistemas e pessoas, seja por tragédias naturais decorrentes de enchentes e deslizamentos de terra, seja pela ameaça às lavouras e à segurança alimentar.
Um aspecto crucial nesse desafio é a alimentação. A produção mundial de alimentos é responsável por 27% das emissões de GEE e por 70% das águas removidas para uso, além de estar associada ao desmatamento e ao uso excessivo de agrotóxicos.
Ao mesmo tempo onde muitas pessoas passam fome, temos índices altíssimos de desperdícios de alimentos: se todos os alimentos desperdiçados no mundo formassem um país, ele seria o 3º maior emissor de GEE do planeta, atrás apenas de EUA e China. Ou seja, a forma como nos alimentamos é insustentável.
Para o Instituto Akatu, principal ONG do país dedicada à sensibilização e à mobilização para o consumo consciente, repensar o padrão de produção e de consumo de alimentos é um dos caminhos para reduzir a sobrecarga da Terra.
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