
03/08/2023
As terríveis ondas de calor e incêndios que estão levando caos e morte para o norte da África, América do Norte e Europa têm como raiz as mudanças climáticas causadas pela humanidade e seu modo de vida. Julho de 2023 já acumula recordes de temperatura e deve ser confirmado como o mês mais quente já registrado. E, mesmo com todas estas evidências, ainda existem pessoas que negam a urgência climática e a necessidade de mudanças para que tenhamos um futuro saudável no planeta.
Para eliminar qualquer dúvida de que precisamos cortar as emissões de gases de efeito estufa, combater o desmatamento e preservar o que ainda resta da biodiversidade, António Guterres, secretário-geral da ONU, fez um alerta claro em pronunciamento, na última quinta-feira, 27 de julho. “A era do aquecimento global acabou; a era da ebulição global chegou”.
“Hoje, a Organização Meteorológica Mundial e o Copernicus Climate Change Service da Comissão Europeia estão divulgando dados oficiais que confirmam que julho de 2023 será o mês mais quente já registrado na história da humanidade. As consequências são claras e trágicas: crianças arrastadas pelas chuvas das monções; famílias fugindo das chamas; trabalhadores desmaiando no calor escaldante”, reforçou Gutteres na coletiva de imprensa.
Chris Hewitt, diretor de serviços climáticos da Organização Meteorológica Mundial, endossa o alerta, lembrando que com base em 173 anos de dados, os oito anos mais quentes já registrados ocorreram de 2015 a 2022, e que um aquecimento substancial vem ocorrendo desde a década de 1970.
“A mudança climática está aqui… E é apenas o começo.”
Guterres enfatizou que uma ação global é necessária agora nas frentes de emissões e adaptação climática e finanças. “Sem mais hesitações. Não há mais desculpas. Chega de esperar que os outros se movam primeiro”, disse Guterres no comunicado à imprensa.
“Ainda é possível limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC e evitar o pior das mudanças climáticas. Mas apenas com ação climática dramática e imediata. Temos visto algum progresso. Uma implantação robusta de energias renováveis . Alguns passos positivos de setores como transporte marítimo. Mas nada disso está indo longe o suficiente ou rápido o suficiente. Temperaturas aceleradas exigem ação acelerada.”
Guterres disse que os líderes mundiais precisam tomar medidas imediatamente, especialmente aqueles do Grupo dos 20 países industrializados mais ricos, responsáveis por 80% das emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo.
“Precisamos de novas e ambiciosas metas nacionais de redução de emissões dos membros do G20… E todos os atores devem se unir para acelerar uma transição justa e equitativa dos combustíveis fósseis para os renováveis – à medida que interrompemos a expansão do petróleo e do gás e financiamos e licenciamos novos carvão, petróleo e gás… E devemos atingir a eletricidade zero líquida até 2035 nos países desenvolvidos e 2040 em outros lugares, enquanto trabalhamos para levar eletricidade acessível a todos na Terra.”
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