UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Como os oceanos podem ser recuperados após todo o estrago causado pela ação humana

08/08/2023

O professor de ciências marinhas Stephen Palumbi, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, observava o azul do mar profundo com a misteriosa sensação de que algo estava errado.
Palumbi participava de uma expedição no verão de 2016, mergulhando no Pacífico Central para verificar o estado de um obscuro trecho de recife.
O que ele e seus colegas pesquisadores encontraram foi um mundo esquecido, com surpreendente abundância de vida marinha. Havia cardumes de peixes-papagaio nadando, jardins de corais em crescimento, peixes-napoleão do tamanho de bebês rinocerontes... e tubarões – muitos tubarões.
“Você não conseguia olhar em nenhuma direção sem observar um ou dois deles”, relembra o professor.
Mas havia também uma atmosfera incomum – estranhas indicações espalhadas de que aquele era um lugar diferente.
“Sempre que você se virava, havia algo estranho acontecendo”, relembra Palumbi. Como uma rachadura misteriosa no recife. Pequenas fissuras irregulares não são incomuns, mas aquela era uma linha reta perfeita – um fosso harmonioso com pelo menos 1,5 km de comprimento.
E houve também um incidente com a navegação. Mais cedo, a equipe de pesquisa estava a bordo do barco de mergulho, perto de lançar âncora na lagoa, a vários quilômetros de distância da terra mais próxima. Foi quando o sistema de navegação começou a alertar que, segundo seus cálculos, eles haviam encalhado – o que não era verdade.
Palumbi estava mergulhando em um dos lugares mais radioativos do planeta: o Atol de Bikini, nas ilhas Marshall. Cerca de sete décadas antes, aquele anel de ilhas – até então, o arquétipo do paraíso tropical – serviu de local de testes para a bomba atômica.
Nas décadas de 1940 e 50, os Estados Unidos passaram 12 anos detonando nas suas águas tranquilas e no atol vizinho 67 bombas nucleares, equivalentes a 210 megatons de TNT – mais de 7 mil vezes a potência empregada em Hiroshima, no Japão.
O sistema de navegação de Palumbi ficou desorientado porque algumas ilhas, ainda registradas nos mapas mais antigos, foram completamente vaporizadas pelas explosões.
Este passado obscuro deixou um legado devastador para os habitantes de Bikini. Eles não conseguiram voltar para casa desde aquela época.
Mas o experimento também criou acidentalmente um santuário – um local onde a vida selvagem é protegida pela própria toxicidade da região. E, há quase 70 anos, ninguém pesca naquele local.
Em terra, a maior parte da humanidade não depende mais de caçar e coletar há milênios. Para o norte-americano médio, por exemplo, atirar em um tatu para o jantar seria algo bastante incomum.
Mas não é o caso dos oceanos. À medida que a nossa população aumenta, cresce também a quantidade de alimentos marinhos que consumimos.

Saiba mais acessando o g1

Novidades

Dragão-de-komodo? Lagarto de grandes proporções é flagrado caminhando pela areia da Praia da Barra; veja vídeo

08/10/2026

Por alguns instantes, quem viu o animal ao vivo ou assistiu ao vídeo que relatava sua presença na Pr...

Jacareí vai plantar mil árvores com ajuda de moradores

08/10/2026

Mais de 1.000 plantios para embelezar e refrescar a cidade. É o que os moradores de Jacareí podem es...

País tem 30 milhões de crianças sob risco climático e El Niño forte pode agravar cenário, alerta Unicef

08/10/2026

Mais de 30 milhões de crianças estão expostas a dois ou mais riscos climáticos no Brasil, segundo an...

Seca e calor extremos do último El Niño antecipam ´novo normal´ nas florestas tropicais

08/10/2026

Cerca de 75% das áreas das florestas tropicais do mundo enfrentaram pelo menos seis meses de seca e ...

A embalagem flexível é vilã ou aliada da sustentabilidade?

08/10/2026

A leveza que torna o material eficiente na fábrica é a mesma que o faz perder valor na cooperativa. ...

Ambulância solar leva atendimento a áreas remotas do Quênia

08/10/2026

Em regiões rurais do Quênia, chegar a um hospital pode ser um desafio que começa muito antes de uma ...