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Os animais silvestres eletrocutados em fiação elétrica no Rio de Janeiro

10/08/2023

Os macacos-prego Marcelinho e Marcelinha perderam os braços e estão condenados a viver para sempre em cativeiro. Em comum, foram eletrocutados e por muito pouco não perderam a vida.
Mas eles não são os únicos - na verdade, a realidade de animais silvestres que vivem na cidade do Rio de Janeiro é bem mais cruel.
Desde julho de 2022, o Instituto Vida Livre, ONG que trabalha na reabilitação e soltura de animais em situação de risco na capital fluminense, recebeu 35 animais silvestres eletrocutados na rede elétrica da Light, empresa privada de geração, distribuição, comercialização e soluções de energia elétrica no Rio de Janeiro.
Entre os animais, estão macacos-prego, preguiças e cuícas, todas espécies ameaçadas, catalogadas na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
Elas vivem na Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado do Brasil e um dos dez mais do mundo e que possui uma lei própria de proteção (Lei 11.428), mas até hoje não dispõe de qualquer política de prevenção de acidentes ou para o socorro dos animais eletrocutados.

Desses 35 atendimentos, segundo o Instituto Vida Livre:

▸ 3 animais foram socorridos e reintroduzidos (1 macaco, 1 preguiça, 1 gambá)
▸ 1 macaco ainda está em tratamento para soltura
▸ 2 macacos (Marcelinho e Marcelinha) estão vivos, porém perderam seus braços e estarão condenados a viver em cativeiro
▸ 29 não aguentaram e já chegaram mortos ou morreram durante o tratamento.

Os casos geraram comoção nas redes sociais e foram postados e compartilhados por diversas instituições, celebridades e formadores de opinião.
Em entrevista à BBC News Brasil, o diretor do Instituto Vida Livre, Roched Seba, disse que "em todas as situações" tentou comunicar e solicitar o socorro da Light, mas "sem sucesso".
A Light tem uma concessão há 118 anos no Rio de Janeiro, distribuindo energia dentro da Mata Atlântica, mas, segundo Seba, do Instituto Vida Livre, não se responsabiliza pelo socorro e tratamento de animais eletrocutados.
Procurada pela reportagem, a empresa afirmou que zela pela prevenção do "risco de eletrocussão de animais silvestres" e mencionou medidas como "planos cíclicos de poda de árvores, o que afasta os animais da rede elétrica" (veja mais detalhes abaixo).
O socorro, quando é possível, é prestado gratuitamente por instituições como o Instituto Vida Livre e órgãos públicos.
"A Light também não tem um levantamento sobre as áreas de maior risco de acidentes com esses animais, com o objetivo de preveni-los. Mas o que mais me choca é que ela não se responsabiliza pelo tratamento desses animais. Todo o custo do tratamento que oferecemos sai do nosso bolso; vem de doações", diz Seba.

Termine de ler esta matéria acessando a Folha de S. Paulo

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