
15/08/2023
O litoral do Rio de Janeiro é rota migratória de diferentes espécies de baleias. Hoje, quando elas aparecem, atraem olhares e cliques — e até drones! Mas as águas cariocas quase as levaram à extinção, em uma história marcada por muito sangue e covardia.
No corpo desses cetáceos flui um óleo que à época do Brasil Colônia era tão cobiçado quanto o petróleo é hoje. Da banha das baleias se extraía um azeite que servia para iluminar ruas e casas.
As francas eram o alvo dos baleeiros e dos arpoadores. Como têm mais gordura do que outras espécies, como a jubarte, boiavam quando mortas, ao invés de afundar.
“As baleias-franca foram as mais abundantes na zona costeira do Rio de Janeiro. Com a chegada dos europeus, logo pelos idos de 1600 e 1700, estabeleceram armações baleeiras na costa do Brasil. Essas populações foram caçadas ao extremo”, afirmou o oceanógrafo José Laílson.
O historiador João Daniel Almeida destacou que a “economia da baleia”, por ser muito rica, foi uma política de Estado. “A Coroa manteve o monopólio. Marquês de Pombal chegou a criar uma ‘Companhia de Baleação’ para tentar estimular isso”, ensinou.
A temporada de pesca durava 2 meses. Eram geralmente duas embarcações pequenas com 8 homens. Um barco ficava mais afastado e outro ia mais perto para dar o bote.
Um par de baleeiros conseguia até 40 animais no período — cada uma rendia cerca de 8 mil litros de óleo. Pouco importava o meio ambiente, o equilíbrio da fauna ou o bem-estar do animal.
Uma indústria da riqueza que ficou eternizada nos registros da época, como mostrou a historiadora Maria Isabel Lenzi.
A matéria na íntegra pode ser lida no g1
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