
15/08/2023
Embora a causa inicial ainda não tenha sido determinada, os incêndios florestais que atingem o Havaí, e que deixaram, até então, 80 mortos e mais de mil desaparecidos, já são o pior desastre natural da História do estado, impulsionados por ventos de furacão e a seca — que afeta 14% do arquipélago, segundo o Monitor de Secas dos EUA, enquanto 80% do território foi classificado como anormalmente seco.
Cientistas destacaram que aproximadamente 90% do Havaí está recebendo menos chuva hoje do que há um século, segundo um estudo de 2016, publicado pela Sociedade Real de Meteorologia, do Reino Unido.
Somados à persistente falta de chuvas na região e a consequente seca da vegetação, os fortes ventos do Furacão Dora — que passou pela costa do Havaí na terça-feira — contribuíram para a rápida propagação das chamas.
Combinadas, as condições resultaram em uma vegetação altamente inflamável, tornando o ambiente propício para incêndios de grandes proporções e que se alastram rapidamente.
— As terras rurais a leste de Lahaina [cidade histórica muito atingida pelas chamas] já foram plantações intensivamente administradas, com valas de irrigação e terraços — explica à AFP Thomas Smith, especialista em geografia ambiental da Escola de Economia de Londres. — Como a maior parte desta terra foi abandonada, ervas altas, arbustos e árvores jovens criaram raízes, aumentando substancialmente a quantidade de vegetação inflamável ao redor da cidade.
Portanto, seja qual for a faísca que iniciou o incêndio, ela tinha bastante combustível para queimar.
Em uma coletiva de imprensa na quinta-feira, o governador do Havaí, Josh Green, afirmou que os incêndios florestais na região foram o "maior desastre natural" da História do estado americano. Até o momento, 67 pessoas foram declaradas mortas e aproximadamente mil estão desaparecidas, embora as buscas ainda não tenham contemplado o interior de prédios destruídos pelas chamas, o que significa que o número ainda pode aumentar.
— Nunca tivemos um incêndio florestal que afetasse uma cidade como esse antes — disse Green, citando também os impactos das mudanças climáticas sobre o Havaí.
A ONU alertou recentemente para o aumento global de incêndios extremos devido às mudanças climáticas. A combinação de clima seco, ventos e vegetação propensa a pegar fogo tem resultado em uma ameaça persistente de incêndios florestais não apenas no Havaí, que já enfrenta desafios crescentes para proteger suas comunidades e ecossistemas.
Embora os incêndios florestais sejam um fenômeno natural, os cientistas afirmam que o aumento da temperatura na atmosfera está agravando esse tipo de catástrofe.
— A mudança climática está causando o aquecimento global da atmosfera, o que aumentou o poder de secagem —disse à AFP Yadvinder Malhi, professor de Ciências Ecossistêmicas da Universidade de Oxford. — Portanto, o mesmo fogo que há algumas décadas teria sido moderado agora será mais intenso.
A Espanha e a França enfrentaram incêndios semelhantes na costa mediterrânea, perto da fronteira entre os dois países, no início de agosto. As chamas devastaram cerca de 600 hectares devido aos fortes ventos, e forçaram a retirada de mais de 130 pessoas na região. Há pouco menos de um mês, uma ilha da Grécia também foi atingida por intensos incêndios florestais que levaram à retirada de 30 mil moradores e turistas no país.
Fonte: O Globo
Maior coruja do Brasil é registrada em área de preservação de Valença
02/07/2026
Baleias chegam mais cedo ao litoral e isso pode não ser uma boa notícia
02/07/2026
Recife paga PIX por entulho coletado nas ruas
02/07/2026
Startup de bioingredientes vai conectar Amazônia e mercado global
02/07/2026
Amazônia mostra sinal de mudança funcional para lidar com a seca, aponta estudo
02/07/2026
Ministério da Saúde lança painel de alerta para calor extremo em municípios
02/07/2026
