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Mais de 60 organizações lançam campanha contra poluição por plástico

17/08/2023

A poluição por plásticos é hoje a segunda maior ameaça ambiental ao planeta, segundo a ONU, atrás apenas das mudanças climáticas. A cada minuto, dois caminhões de lixo plástico são despejados no oceano, globalmente. Somente o Brasil lança ao menos 325 milhões de quilos de resíduos plásticos todos os anos no oceano. Para frear este problema, mais de 60 organizações estão unidas para fazer avançar o Projeto de Lei 2524/2022, que cria um marco regulatório para o estabelecimento de uma Economia Circular do plástico no Brasil.
Já em tramitação no Senado Federal, o PL propõe resolver o problema da poluição por plástico por onde ele começa: o atual modelo de produção. Além de novas formas de produzir, esse projeto ainda determina novas abordagens para o uso e o descarte do plástico, em que os descartáveis não serão mais produzidos e todo plástico deverá ser reutilizável, reciclável ou compostável. Desse modo, ele voltará ao sistema, e não será mais despejado na natureza e nos oceanos.
“A continuidade do atual sistema linear, baseado em extração, produção e descarte é totalmente insustentável. Com esse Projeto de Lei, o Brasil pode se colocar na vanguarda do assunto, trazendo soluções reais baseadas na circulação de materiais e na regeneração da natureza”, destaca Lara Iwanicki, engenheira ambiental e gerente de campanhas da Oceana.
Para chamar atenção ao PL, a Oceana, juntamente com outras 60 organizações, lança a campanha Pare o Tsunami de Plástico, nesta terça-feira (15), às 18h, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados em Brasília.
No ar, na água, nos alimentos que consumimos e até nos órgãos humanos: já foram detectados microplásticos na placenta, no leite, no sangue, no pulmão e até no coração. A poluição por plásticos deixou de ser apenas uma ameaça ambiental e se tornou uma ameaça real à nossa saúde.
Em 2019, a professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Thais Mauad, coordenou a pesquisa que detectou pela primeira vez essas partículas no pulmão humano. “O plástico no organismo carrega uma série de substâncias nocivas, como aditivos, metais pesados, substâncias cancerígenas. Então, não se sabe, nesse momento de pesquisa mundial, o que vai acontecer de verdade com a saúde humana. O que sabemos é que há bilhões de toneladas de plástico no meio ambiente e vai demorar muito para que o planeta seja despoluído”, pontua.
Maior produtor de plásticos da América Latina, com uma produção anual de cerca de 7 milhões de toneladas, o Brasil despeja ao menos 325 milhões de quilos de plástico todos os anos no mar.
Apesar disso, o país sequer faz parte da lista de mais de 100 países que implementaram legislações restritivas a pelo menos um item de plástico descartável. Essa já é a realidade de Quênia, Chile, Índia e Canadá, dentre tantos outros do Norte e Sul globais.
Teve repercussão internacional a recente descoberta da geóloga brasileira Fernanda Avelar Santos que, em um trabalho de campo, encontrou “rochas de plástico” na remota Ilha de Trindade, localizada no litoral do Espírito Santo. Formadas por detritos plásticos fundidos a sedimentos naturais, essas rochas acendem, na sociedade, o espanto pelo fato de a poluição marinha já afetar até mesmo fenômenos geológicos.
“No caso do que encontramos em Trindade, o ser humano foi o agente geológico em todas as etapas, desde disponibilizar essa poluição no oceano para que chegasse até a ilha, passando pela queima e aproximação desses materiais. Esse processo levaria milhares de anos sem a participação humana”, explica a pesquisadora.

A reportagem na íntegra pode ser lida no CicloVivo

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