
17/08/2023
Foi lançado na quinta-feira (10/08) o projeto da primeira estação de abastecimento de hidrogênio renovável a partir do etanol do mundo. Quando finalizada, em julho de 2024, a estação vai produzir 4,5 quilos de hidrogênio por hora e será usada para o abastecimento de três ônibus que circularão pela Universidade de São Paulo (USP). O plano é avaliar por dez meses o funcionamento dos reformadores para então implantar uma fábrica que produzirá 45,5 quilos (kg) de hidrogênio por hora.
“A grande vantagem dessa tecnologia está na pegada de carbono negativa e no ganho econômico. A logística de etanol – que inclusive já existe no país – é muito mais barata que a de hidrogênio. Com essa tecnologia, o etanol pode ser transformado em hidrogênio em reformadores instalados nos postos de abastecimento espalhados pelo país. Conseguimos que o quilo de hidrogênio custe de US$ 6 a US$ 8, o que é quase a metade do preço obtido por outras tecnologias. Além disso, a tecnologia permite capturar o CO2 do etanol, resultando em uma pegada de emissões negativas, em comparação ao hidrogênio produzido com energia solar, por exemplo”, afirmou Julio Meneghini, diretor do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI).
O posto de abastecimento é resultado de um projeto do RCGI, um Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) constituído por FAPESP e Shell na Escola Politécnica (Poli-USP). O RCGI é um dos 22 CPEs financiados pela Fundação em parcerias com empresas.
“O projeto da primeira planta de conversão de hidrogênio mostra que basta colocar uma semente nas mãos corretas para que tanto o apoio financeiro quanto a aplicação da inovação sejam ampliados. O investimento da FAPESP no RCGI foi de R$ 45 milhões até agora e o centro tem um investimento de R$ 465 milhões. Então se multiplicou por dez vezes. É desse tipo de empreendedores que precisamos. Portanto, espalhem a notícia de que a FAPESP, as universidades paulistas e as empresas tecnológicas estão fazendo inovação aqui no Estado de São Paulo”, comemorou Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP.
“O objetivo desse projeto inovador é tentar demonstrar que o etanol pode ser vetor para hidrogênio renovável, aproveitando a logística já existente da indústria. A tecnologia poderá ajudar a descarbonizar setores que consomem energia proveniente de combustíveis fósseis”, afirmou o presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa
Dos cerca de R$ 465 milhões investidos no RCGI nos últimos sete anos, R$ 270 milhões vieram da Shell – sendo R$ 50 milhões só para o projeto dos reformadores de etanol em hidrogênio – e R$ 45 milhões da FAPESP. Ao longo do projeto outras empresas foram se juntando: a Total Energies repassou um montante de R$ 80 milhões e a Petronas, R$ 57 milhões. Houve também apoio da Repsol (R$ 3 milhões), Petrobras (R$ 2 milhões), Marco Polo em parceria com a Embrapii e USP (R$ 670 mil) e SRI (R$ 600 mil).
Na cerimônia de lançamento do projeto, no auditório da Escola Politécnica da USP, o governador Tarcísio de Freitas reforçou o compromisso do governo com a pesquisa e o desenvolvimento e com o incentivo a novas tecnologias de energia renovável.
“Fiquei com vontade de ter ônibus de hidrogênio no Estado de São Paulo todo. É um orgulho saber que o primeiro reformador de etanol em hidrogênio nessa escala do mundo está sendo feito aqui no Brasil, aqui em São Paulo. A gente tem todos os elementos para fazer uma transição energética. Temos cientistas qualificados, inovação e temos a FAPESP, que é esse patrimônio no Estado de São Paulo”, disse o governador.
Antes da cerimônia, em uma reunião no RCGI com cientistas, empresários e integrantes do projeto, o governador se mostrou animado com a novidade: “Tenho muitas perguntas. Posso disparar a minha metralhadora de perguntas? O que precisa para termos todos os ônibus do Estado movidos a hidrogênio?”, indagou.
A matéria na íntegra pode ser lida no CicloVivo
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