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Gato-maracajá é registrado pela primeira vez em parque do Rio

07/11/2023

Um registro inédito no Parque Estadual da Serra da Tiririca. Um gato-maracajá, espécie que está vulnerável no estado do Rio e no Brasil, foi flagrada pela primeira vez na faixa costeira de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, por armadilhas fotográficas do projeto Onças Urbanas. A aparição é rara, segundo o biólogo e coordenador do projeto Izar Aximoff, mas teve companhia: a seriema, ave nativa do Cerrado, e o tatu-de-rabo-mole, também inéditos, passaram por lá.
— Essa Unidade de Conservação está no meio de uma região densamente ocupada pela população. Esses registros são os primeiros para essas espécies, que são ameaçadas de extinção, e têm poucas ocorrências de indivíduos, por isso necessitam serem estudadas e provavelmente manejadas — disse o biólogo Izar Aximoff.
O gato-maracajá ou Leopardus wiedii lembra uma jaguatirica, tem pintas espalhadas pelo corpo, mas é menor: geralmente mede de 46 a 79 centímetros. É um felino predador do topo da cadeia alimentar, que atualmente enfrenta risco alto de extinção na natureza. Tem hábitos noturnos e alimenta-se de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Diante da raridade da presença em solo niteroiense, surge a necessidade de implantar estratégias de proteção da espécie junto à comunidade.
— É importante conversar com os moradores do entorno do parque e desmistificar a figura de perigo do felino na área, mesmo sendo um predador. É uma presença rara. Entre as recomendações para proteger a espécie, é que os moradores do entorno que tenham animais domésticos, como galinha, cachorro, gato, evitem a atração desses animais — explica Izar.
Já a seriema ou Cariama cristata é uma ave típica do Cerrado brasileiro e muito comum no estado de Minas Gerais, mas também andou ciscando por aqui. A presença dela em regiões de Mata Atlântica mostra que a espécie está cada vez mais distribuída pelo território nacional, segundo Izar, por conta das alterações no bioma costeiro.
Outro animal que debutou no Parque Estadual da Tiririca foi o tatu-de-rabo-mole. Mesmo sem ter a especificação de qual espécie, o achado é motivo de celebração.
— É um primeiro registro de um animal raro nessa região. Ele também foi encontrado na Floresta da Tijuca, mas em Niterói é a primeira vez. É uma notícia muito legal — enfatiza o biólogo.
O Projeto Onças Urbanas visa a fazer o monitoramento da presença de onças-pardas e outras espécies em extinção, por armadilhas fotográficas distribuídas no Refúgio de Vida Silvestre de Maricá, no Parque Estadual da Pedra Branca, no Rio, e no Parque Estadual da Serra da Tiririca, em Niterói.
Com apoio do BioParque e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o projeto também realiza a contagem de indivíduos e se estes estão interagindo com os moradores do entorno da unidade de conservação, já que são programadas para funcionar por 24 horas.
A armadilha é uma câmera fotográfica ativada por sensor de presença. O animal passa na frente da câmera, que aciona a foto ou o vídeo. O intuito é distribuir os equipamentos em pontos estratégicos do refúgio para captar, além das imagens de onças-pardas, registros de animais que também aparecem com frequência na região. Se necessário, os profissionais abrirão novas trilhas para controle total da área.

Fonte: O Globo

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