
30/06/2026
O terremoto que atingiu a Venezuela na quarta-feira (24) e matou mais de 180 pessoas foi registrado na escala Richter como um sismo de magnitude 7,2 - um dos mais fortes já ocorridos no continente em toda a história.
Apesar do abalo fortíssimo no vizinho ao norte, o Brasil foi quase totalmente poupado, com apenas leves tremores tendo sido sentidos em cidades como Manaus ou Belém.
O país parece ser, em geral, poupado de terremotos. Mas a ciência mostra que não é bem assim.
O que acontece é que, como o país está localizado no meio de uma placa tectônica, ou seja, longe das bordas que estão em constante atrito com outras na crosta terrestre, os tremores acabam sendo sentidos com menos intensidade no país.
Já os países vizinhos ao Brasil, especialmente os que estão mais próximos à cordilheira dos Andes, têm em seus territórios bordas de duas placas — e são destes encontros que ocorrem os terremotos, alguns deles com catastróficas consequências.
Para entender isso é preciso compreender como os terremotos ocorrem. E isto está diretamente ligado à constituição da crosta terrestre — a camada externa do planeta é formada por gigantescas placas rochosas, chamadas de placas tectônicas.
"Essa parte mais da superfície da Terra seria algo semelhante a um casco de tartaruga, com várias peças se encaixando", compara o geógrafo e historiador Sergio Ribeiro Santos, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.
E elas se movimentam a velocidades que podem chegar a até 10 centímetros por ano.
São formações imensas. A placa Sul-Americana, em alguns trechos, pode ter até 200 quilômetros de espessura.
Há placas que "carregam" os continentes, outras que estão cobertas por água marinha e até mesmo as que combinam ambas as superfícies. Professor em um colégio paulistano e mestre em geografia pela Universidade de São Paulo (USP), o geógrafo Sergio de Moraes Paulo faz uma analogia com uma casca de ovo para explicar o que é a crosta terrestre. "Só que uma casca toda fragmentada, em grandes placas, que são as placas litosféricas, as placas tectônicas", pontua ele.
"Como a parte de baixo, o manto, que é como se fosse a clara do ovo, está se mexendo, as placas também se mexem", explica Paulo.
Segundo o professor, esse movimento se torna mais notável nas chamadas "áreas de contato" — ou seja, o limite entre um placa e outra.
O geógrafo Santos explica que essa movimentação se dá por conta das altas temperaturas do interior do planeta.
O movimento das placas faz com que elas estejam constantemente em atrito umas com as outras, como se buscassem se encaixar em um espaço limitado. Elas se empurram, se raspam e se chocam. Se a tensão é constante, há momentos em que a energia chega a um nível em que as rochas se fraturam, se rompem. Mais ou menos como ocorre se pegarmos uma pedra e, com uma ferramenta bastante sólida, formos apertando-a cada vez mais — uma hora ela trinca, quebra.
No âmbito de dimensões gigantescas das placas tectônicas, essa fratura é chamada de falha. Mas a energia liberada desse movimento é tão grande que acaba fazendo vibrar todo o solo ao redor. É isso que faz com que ocorram os tremores.
A área onde essas duas placas colidem é conhecida como limites convergentes.
A reportagem na íntegra pode ser lida no g1
Por que países vizinhos sofrem tanto com grandes terremotos, mas Brasil é poupado?
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