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“Grito” de cobra é registrado pela 1ª vez na América do Sul

09/11/2023

O primeiro registro de vocalização de cobra na América do Sul foi registrado por pesquisadores do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). A descoberta foi tão surpreendente que até eles mesmo demoraram a acreditar.
Os cientistas Igor Yuri Fernandes, Alexander T. Mônico e Esteban Diego Koch, bolsistas dos Programas de Pós-Graduação (PPG) em Ecologia e PPG em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva (GCBEv), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) realizavam uma pesquisa de campo quando uma cobra popularmente conhecida como papa-lesma (Dipsas catesbyi) emitiu um som, parecido com um grito, ao ser manuseada na mão.
Logo no início se imaginou que pudesse ser o som de algum outro animal, mas, após inúmeras pesquisas e descartando possibilidades de ser um coincidência, a equipe chegou ao veredito de que realmente se tratava da primeira vocalização em uma serpente na América do Sul.
A situação ocorreu durante uma expedição noturna na propriedade particular Amazon Emotions no município de Presidente Figueiredo em 2021. Entretanto, somente agora, com a publicação do estudo descrevendo este comportamento na revista Acta Amazonica, que a história foi amplamente divulgada na mídia.
Igor Yuri, fundador do Projeto Suaçuboia e doutorando em Ecologia do Inpa, diz que a descoberta abre portas ao entendimento sobre outras espécies de serpentes que possam vocalizar.
“Descobrir que uma cobra vocaliza é virar a herpetologia [estudo de anfíbios e répteis] na América do Sul de cabeça pra baixo! A repercussão está sendo enorme com o achado e a melhor parte é ver as pessoas achando fofo uma cobra, com todos os seus estigmas sociais sendo bonitinha. Acho que além do valor científico gigante desta descoberta, o retorno por meio da educação ambiental é maravilhoso”, comemora.
Comumente chamada de cobra dormideira, falsa-jararaca, jararaquinha-do-brejo, essa espécie ocorre majoritariamente na Amazônia, em regiões de transição entre Amazônia-Cerrado onde fica o arco do desmatamento colocando essa espécie em risco e na Mata Atlântica.
Seu projeto Suaçuboia tem como pilar ressignificar a percepção das pessoas, seja em cidades ou comunidades ribeirinhas, sobre as serpentes, suas belezas e importância por meio da fotografia, palestras, cursos e conversas informais sobre as lendas e crendices populares com os moradores locais.

Veja e escute clicando no CicloVivo

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