
14/11/2023
Enquanto a balsa balançava contra o cais de concreto na ilha de Eigg, houve um atraso no desembarque dos passageiros.
Os marinheiros carregavam caixas e pacotes de um barco até a embarcação e verificavam novamente a proa para ter certeza de que não haviam esquecido nada.
A última encomenda era um maço de jornais enrolados e etiquetados individualmente. Enquanto os jornais se moviam para frente e para trás, um deles rolava em direção aos degraus que levavam à água. A bota de um dos tripulantes da balsa o deteve pouco antes de chegar à beira.
Embora fosse apenas um jornal, quem acabava de chegar percebeu o risco de perdê-lo e partilhou o alívio dos moradores da ilha ao verem que tinha sido recuperado.
Eigg faz parte das ilhas Hébridas Interiores da Escócia, chamadas de Pequenas Ilhas. Está localizada a 24 quilômetros do continente e conta com uma balsa que circula várias vezes por semana para abastecimento e transporte, dependendo das condições climáticas. Nesse local, o desperdício não é uma opção e a sustentabilidade é uma necessidade.
"A sustentabilidade sempre fez parte da vida na ilha e das fazendas daqui", explicou Norah Barnes, guarda florestal do Scottish Game and Wildlife Conservation Trust em Eigg.
"Você fica um pouco mais consciente do que está vestindo. Você não pode simplesmente ir a uma loja na mesma rua para comprar alguma coisa. Tudo o que queremos, literalmente temos que despachar."
As ilhas são Eigg, Canna, Sanday, Rum e Muck. Juntas, têm uma população que varia entre 150 e 200 pessoas.
Eigg mede oito por cinco quilômetros. Embora seja a segunda maior, é de longe a mais populosa, com cerca de 110 residentes, o que os ajudou a fomentar uma comunidade que se encarrega coletivamente do futuro da ilha.
Ao descer da balsa, caminhei um pouco até An Laimhrig. Recentemente ampliado e remodelado para servir ao crescente número de moradores e visitantes, o resort está no centro da vida comunitária.
Enquanto eu me orientava com um mapa, os moradores iam e vinham, recolhendo encomendas, entregando cartas e comprando suprimentos no único supermercado da ilha que também funciona como correio.
Além de café e mercearia, o complexo abriga loja de artesanato, aluguel de bicicletas, além de banheiros e chuveiros públicos para quem acampa ao ar livre ou fica em barracas comunitárias. E ali também está o monumento de pedra que comemora a compra comunitária da ilha em 1997.
Com os proprietários de terras ausentes ou sem interesse pela ilha, os residentes de Eigg convenceram-se de que a propriedade comunitária era a única forma de garantir o futuro da ilha.
"Os moradores perceberam que não teríamos uma grande comunidade a menos que nós mesmos a criássemos", disse Maggie Fyffe, secretária da organização proprietária da Eigg.
Quando a ilha foi colocada à venda em 1996, os locais começaram a arrecadar dinheiro.
"Os moradores contribuíram e fizemos uma grande campanha de arrecadação de fundos. Tivemos o famoso doador misterioso que acabou dando mais de US$ 1 milhão e por isso fechamos o negócio."
Embora os visitantes venham por diversos motivos, Eigg é ideal para quem se interessa por atividades ao ar livre.
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
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