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Pela primeira vez, estudo detecta região árida no Norte da Bahia

21/11/2023

Um estudo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) identificou, pela primeira vez, características de clima árido no Norte da Bahia. No último período considerado, entre 1990 e 2020, a área chega a 5,7 mil quilômetros quadrados.
Pesquisadores dos dois órgãos federais, que são ligados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), detectaram, ainda, um aumento do clima semiárido em outras áreas do país.
A cada década, áreas do semiárido do país crescem a uma taxa média superior a 75 mil quilômetros quadrados. Os locais concentram-se principalmente no Nordeste e no norte de Minas Gerais, informa o estudo.
Com exceção da região Sul e do litoral dos estados de Rio de Janeiro e São Paulo, a tendência de aumento da aridez se constata em todo o país. De acordo com a nota técnica dos pesquisadores, o processo está relacionado com o aquecimento global.
O motivo principal é o aumento da evapotranspiração - combinação entre a evaporação da água que cai no solo e a transpiração de água pelas plantas. Na região Sul, no entanto, observa-se uma tendência inversa, associada ao aumento das chuvas, cujas consequências são sentidas pelos produtores rurais.
Para chegar a essas conclusões, os responsáveis da pesquisa utilizaram uma metodologia reconhecida internacionalmente, na qual o índice de aridez, calculado a partir de uma fórmula onde os valores de precipitação são divididos pela evapotranspiração potencial de cada região.
Nos climas mais secos, onde há um déficit de chuvas, essa razão fica abaixo de 1. A região é considerada semiárida se o resultado ficar entre 0,21 e 0,5 e árida se ficar abaixo de 0,2.
Em regiões com índice de aridez crítico, a falta de água favorece a ocorrência de queimadas e pode afetar de forma severa a agricultura e a pecuária, descreve a nota técnica divulgada no dia 4/11. Nessas condições, quando o uso do solo não é feito de forma sustentável, nota-se processos de desertificação no longo prazo.
O diagnóstico produzido pelo Inpe e pelo Cemaden subsidiará a Política Nacional de Combate à Desertificação, coordenada pelo Ministério do Meia Ambiente. A análise considerou dados levantados entre 1960 e 2020.
Eles foram divididos em períodos de 30 anos. Assim, foram feitos mapas com as médias históricas de quatro intervalos: 1960-1990, 1970-2000, 1980-2010 e 1990-2020.

Fonte: Glovo Rural

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