
21/11/2023
Há mais um mês o Pantanal arde em chamas. Com mais de 3 mil focos de calor neste mês, um dos principais resíduos do fogo, a fumaça, tem se espalhado para além da região do bioma. Imagens captadas por satélites mostram o avanço da névoa para região Sul e Sudeste do país.
🔥🛰️As imagens são do satélites do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A névoa de fumaça tem avançado principalmente para São Paulo, Paraná, Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul.
Em algumas cidades do noroeste do Paraná, como Paranavaí, é possível perceber a mudança no céu, que apresenta aspecto mais cinza desde quinta-feira (16).
👨🔬💥O doutor em geofísica espacial e professor do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Widinei Alves Fernandes, explica que o corredores de nuvens têm facilitado a chegada da névoa em outros estados brasileiros e até em países fronteiriços, como Paraguai e Bolívia.
"O aumento de fumaça foi devido a chegada dessa pluma, em decorrência das queimadas que ocorreram no Pantanal e também na Amazônia. Isso mostra que a poluição do ar é um problema transfronteiriço, ou seja, que regiões relativamente distantes podem impactar outras regiões. Identificamos nesse momento uma condição moderada já aumentando, podendo chegar até uma concentração de ruim mais tarde", detalha o pesquisador.
🔥💨O meteorologista do Centro de Monitoramento do Tempo e Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) Vinicius Sterling explica que o avanço da névoa de fumaça do Pantanal também é maximizado pelos incêndios na Amazônia.
"A fumaça que está chegando em outros estados não são apenas do Pantanal, também tem influência da Amazônia. A situação se maximiza em Mato Grosso do Sul e vai para outras regiões. Na Amazônia boliviana também há focos de calor, o que contribui para chegada de fumaça em outros estados, principalmente o estado do MS", detalha o especialista em clima.
🔥🌫️Em Campo Grande, a qualidade do ar piorou nos últimos dias e a névoa dos incêndios do Pantanal se concentram de forma mais densa em Mato Grosso do Sul. Nesta sexta-feira (17), diversas cidades do estado amanheceram encobertas pela fumaça causada pelo fogo no bioma. Veja o vídeo mais acima.
Em Campo Grande, a Estação de Monitoramento da Qualidade do Ar da UFMS confere a qualidade do ar que respiramos. Na última semana, com o aumento dos incêndios no Pantanal, o levantamento viu uma mudança drástica na situação na capital.
A situação do ar estava classificada como "boa", desde o início desta semana, a medição mudou para "moderada". O professor Widinei Alves Fernandes explica que os prognósticos futuros não são motivadores.
"A situação está se agravando. Quando entra na faixa moderada, devemos tomar outros cuidados. A última atualização feita já aponta um caminhado pior para qualidade do ar. Dentro da faixa moderada, já estamos entrando na parte mais ruim em Campo Grande", detalha o pesquisador.
O levantamento da qualidade do ar é medida apenas em Campo Grande. Entretanto, a partir da situação da capital e as imagens de satélites, o pesquisador consegue apontar uma piora no ar para boa parte do estado.
"Corumbá, provavelmente, deve estar em uma situação pior. As cidades da região do Pantanal estão com o ar mais debilitado. A redução da visibilidade em Campo Grande já existe. Praticamente o estado todo, menos a região leste. A região mais afetada é a central e do oeste do estado".
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