
28/11/2023
Quando o biólogo especialista em insetos César Favacho andava pelo campus da Universidade Federal da Amazônia (UFAM), em Manaus (AM), não esperava encontrar uma das maiores mariposas em envergadura de asas do mundo, aThysania agripinna.
Segundo ele, alguns indivíduos da espécie podem checar a 30 centímetros. O encontro aconteceu na quarta-feira (22) e o biólogo, que vive em Belém (PA), estava na universidade para um simpósio sobre divulgação científica.
“Vi alguma coisa enorme voando, parecia uma ave, mas quando percebi que embaixo da asa era preto, pensei que poderia ser a bruxa-branca. A mariposa pousou e consegui ter a certeza da espécie. Eu fiquei muito feliz, tremendo, em êxtase, porque sempre quis ver esse bicho vivo. Acredito que ela media cerca de 25 centímetros. Passei horas sentado ao lado dela fazendo fotos e vídeos”, relembra.
Sem querer, César teve ainda mais conteúdo para compartilhar com os estudantes uma vez que publicou o achado nas próprias redes sociais, como está acostumado a fazer, com objetivo de passar conhecimento aos seguidores que têm interesse na área.
A Thysania agripinna é da família Erebidae, que agrupa cerca de 20 mil espécies. Dessas, 2,5 mil ocorrem no Brasil, inclusive ela. “Ela pode ser encontrada em parte da América do Norte e em quase toda América Central e do Sul, principalmente em áreas de floresta fechada. Por aqui, vive na Amazônia e em alguns locais da Mata Atlântica”, explica Favacho.
A mariposa também é conhecida como mariposa-bruxa-branca e mariposa-imperador. O primeiro nome popular remete às outras espécies de mariposas da mesma família, que são chamadas de bruxas e, geralmente, possuem coloração escura e aparecem à noite nas casas.
“Já o nome imperador acredito que seja pela imponência e grandiosidade desse inseto”, fala o biólogo que reforça a dificuldade de se traçar a origem de nomes populares.
Pouco se sabe sobre o ciclo de vida dessa mariposa e, de acordo com Favacho, não há trabalhos publicados relatando a fase de lagarta da espécie. Por sorte, em 2014, o pesquisador Fernando Carvalho Filho, do Museu Paraense Emílio Goeldi, encontrou um exemplar em Belém.
"Encontrei uma imensa lagarta, a qual fotografei sem muita técnica. Ela empupou imediatamente após ter sido coletada, impedindo-me de fazer um registro melhor. Após algumas semanas emergiu uma bruxa-branca. Por incrível que pareça, a sua lagarta era desconhecida", relatou Fernando na rede social.
De hábitos solitários e noturnos, a espécie é inofensiva e o principal modo de defesa é a camuflagem. Quando não funciona, esse inseto pode ser predado por pequenos mamíferos, aves e répteis.
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