
01/10/2026
David Max André trabalha com reciclagem desde 1994. Começou ainda criança, recolhendo latinhas e papelão para ajudar a mãe nas despesas de casa. Mais de três décadas depois, continua dependendo da venda desses materiais, mas afirma que uma mudança no preço recebido fez diferença em sua renda: antes, ganhava entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil por mês com plástico e papelão, hoje, esse valor já ultrapassa R$ 3 mil.
A diferença, segundo ele, está na possibilidade de vender os resíduos por um valor maior do que o oferecido pelos intermediários aos quais recorria. Hoje, David leva os materiais para a Estação Preço de Fábrica, projeto da Green Mining que compra recicláveis de catadores e moradores e vende diretamente para a a indústria recicladora – pagando um preço justo pelo que é coletado e entregue.
No caso de David já foram mais de 20 toneladas de materiais vendidos e uma receita de R$ 13 mil pelas vendas à unidade. “O valor que pagam pelo material, o atravessador não paga para a gente”, diz.
Para Débora dos Santos Silva, de 54 anos, a coleta começou com o vidro de casa e rendia cerca de R$ 20 por semana. Ela passou a separar também os materiais descartados em seu prédio, conversou com os vizinhos sobre o que pode ser reciclado e fez parcerias com bares. Uma das primeiras metas era conseguir R$ 100 para ajudar a irmã com as compras da feira.
Hoje, ela conta que consegue cerca de R$ 450 por mês com a atividade – já encaminhou 16 toneladas para reciclagem e recebeu R$ 10 mil reais pelas vendas.
Além da renda, Débora destaca as condições para realizar as entregas. “É bem atendido, é bem localizado, está num lugar seguro. Isso eu acho muito importante para mulher”, conta. Ela também passou a indicar a estação a outras pessoas e a procurar destino para materiais que antes tinha dificuldade de reciclar, como as embalagens longa vida. Com isso, a coleta e destinação correta de materiais recicláveis aumenta, gerando benefícios econômicos para quem vende o material e para o planeta.
O preço também mudou a relação de Edmundo Buzzo Filho, de 73 anos, com o vidro. Aposentado, ele começou a recolher pequenas quantidades de recicláveis há cerca de cinco anos. Conta que, antes de conhecer o projeto, vendia vidro por R$ 0,05 o quilo – a Estação Preço de Fábrica paga entre R$0,27 e R$0,65, dependendo da cor. À medida que ampliou a atividade, retirou o banco de um Fusca para transportar os materiais, comprou uma carreta, passou por uma Kombi e hoje usa uma Fiorino.
Seu próximo plano é comprar um caminhão pequeno. Edmundo já entregou mais de 66 toneladas de materiais à estação e recebeu mais de R$ 33 mil pelas vendas. “Cidade inteira deixa vidro na minha porta”, conta. O trabalho, diz, deu outro sentido à aposentadoria. “Ficar em casa assistindo televisão, jogando dominó, não é vida, né?”.
No Jabaquara, zona sul de São Paulo, Edna Rodrigues Lemos, de 58 anos, leva de bicicleta os recicláveis que reúne em casa e com a família. O trajeto até a estação tem cerca de 1,5 quilômetro, mas costuma demorar mais do que o previsto porque ela para pelo caminho para recolher garrafas PET. “Eu vou parando e vou pegando”, conta.
Edna que sempre separou resíduos por preocupação ambiental e, há cerca de um ano e meio, passou a obter uma renda extra com a atividade. Ela também destaca a orientação recebida na unidade sobre como preparar os materiais. “Dá para juntar as duas coisas, o útil e o agradável”.
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