
19/12/2023
O Globo Repórter da última sexta-feira dia 15 mostrou a importância do uso sustentável dos recursos oceânicos e como a vida marítima em equilíbrio é poderosa fonte de renda e geração de empregos. O banco de corais Royal Charlotte é uma nova descoberta da ciência brasileira e traz uma rica biodiversidade e potencial econômico.
Descoberto pela ciência apenas no ano passado, o Royal Charlotte é um imenso banco de corais com 100km de extensão localizado no Parque Municipal Marinho do Recife de Fora, na costa de Porto Seguro (BA). Seus corais chegam a três mil metros de profundidade e têm uma ampla variedade de espécies vivendo ali.
“Foi o primeiro recife profundo, de fato vivo e complexo que a gente encontrou. Realmente único, foi um momento de emoção forte. Um ambiente incrível, maravilhoso, cheio de vida. Realmente, acho que é o auge da carreira como cientista marinho”, conta Ronaldo Francini, biólogo do Centro de Biologia Marinha da USP.
Ronaldo mergulha para estudar o mar há 30 anos e foi o primeiro brasileiro a abrir os olhos no Charlotte, em uma expedição do Projeto Coral Vivo. O Globo Repórter mergulhou no banco de corais e conseguiu imagens inéditas do local.
Segundo Débora Pires, doutora em zoologia marinha e fundadora do Projeto Coral Vivo, o Royal Charlotte tem uma grande importância para o litoral da Bahia.
“É um recife de coral verdadeiro, com uma estrutura biológica que serve como uma barreira natural contra a erosão costeira”, explica Débora.
As barreiras de corais são raras, ocupam menos de 0,2% dos oceanos. Mas abrigam 25% de toda a vida marinha, incluindo seres pré-históricos, como o coral cérebro, que só existe no Brasil.
Pesquisadores do projeto coletam amostras do coral cérebro e de outros animais para fins de pesquisa. “O potencial é enorme. É muito importante que a gente avance com esses estudos nessa região”, diz Ronaldo.
Assista ao vídeo clicando no Globo Repórter
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