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2023 ´demoliu´ recordes climáticos no mundo, diz relatório da Organização Meteorológica Mundial

20/03/2024

O ano de 2023 foi marcado por uma verdadeira derrubada de recordes climáticos em escala global, que desencadearam impactos socioeconômicos massivos em todas as regiões do mundo, afetando especialmente as populações mais vulneráveis, conclui um novo estudo da Organização Mundial Meteorológica (OMM) publicado nesta terça-feira (19).
Segundo o relatório "O estado do clima em 2023", nunca antes o mundo viveu uma situação com tantos extremos e recordes:

▸ nos níveis de gases de efeito estufa da Terra
▸ nas temperaturas superficiais do nosso planeta
▸ de acidificação e calor dos oceanos
▸ no nível do mar
▸ e da cobertura de gelo na Antártida e no Ártico

"Jamais estivemos tão próximos do limite inferior de 1,5°C do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas", disse a Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo.
A seguir, entenda o contexto por trás de cada um desses aspectos da crise climática e as suas perspectivas desafiadoras.
O aquecimento global é causado pelos gases de efeito estufa que retêm o calor do nosso Sol na atmosfera. Esses gases, como o CO2 (gás carbônico), são liberados quando queimamos combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, algo que não fazíamos antes da Revolução Industrial, pelo menos em larga escala.
Desde então, a quantidade de CO2 na atmosfera aumentou mais de 50% - e continua crescendo. Como consequência disso, o aquecimento global está fazendo o nosso planeta ficar mais quente, o que por sua vez está causando uma série de problemas e intensificando fenômenos naturais, como incêndios, secas e tempestades que estamos vendo cada vez mais pelo mundo.
Segundo o relatório da OMM, as concentrações observadas dos três principais gases de efeito estufa - dióxido de carbono, metano e óxido nitroso - atingiram níveis recordes em 2022, e dados em tempo real de locais específicos também mostram um aumento contínuo em 2023.
Com todo esse aumento das emissões, não tem outra. Desde o início de julho do ano passado, temos presenciado a quebra constante dos registros históricos de temperatura: uma sequência de novos recordes para os meses mais quentes já registrados.
Em 2023, a temperatura global média foi 1,45 °C (com uma margem de incerteza de  ± 0,12 °C ) acima da média pré-industrial. Isso tornou o último ano o ano mais quente registrado, superando os recordes anteriores de 2016 e 2020.
Com isso, a média decenal de 2014-2023 ficou em 1,20°C (com uma margem de incerteza de  ± 0,12 °C ) acima da média de 1850-1900. Isso quer dizer que o aumento contínuo das concentrações de gases de efeito estufa é o principal impulsionador do aquecimento global, segundo o relatório da OMM.
Os riscos climáticos continuaram a desencadear deslocamentos em 2023, mostrando como os choques climáticos minam a resiliência e criam novos riscos de proteção entre as populações mais vulneráveis.
— Trecho do relatório "O estado do clima em 2023", da OMM.
A temperatura média da superfície do oceano também tem batido recordes desde o ano passado e a OMM prevê que esse aquecimento deve continuar - uma mudança que é irreversível em escalas de centenas a milhares de anos.

A reportagem na íntegra pode ser lida no g1

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