
28/05/2024
Com áreas suscetíveis a enchentes, Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, criou um parque com academia, pista de skate e outras opções de lazer que inunda de propósito em dias de muita chuva. O mecanismo evita que ruas e casas sejam atingidas pela cheia do rio Itapocu, que corta o município.
Inspirada em espaços de Nova Ioque e Holanda, o bosque tem uma área de escape da água da enchente, feita a partir da escavação de uma área de pastagem. Após higienização, os equipamentos podem voltar a ser usados normalmente.
Contornado por uma via para caminhadas e também com quadras de esportes, o Parque Linear Via Verde foi uma recomendação do Ministério Público de Santa Catarina, que possui um grupo de trabalho para diagnosticar, mapear e regulamentar o uso das áreas sujeitas a inundações.
O complexo, conforme o município, alaga em momentos de chuvas mais intensas para represar a água do rio.
Segundo o promotor de justiça da Defesa do Meio Ambiente de Jaraguá do Sul, Alexandre Schmitt dos Santos, a estrutura foi pensada para suportar as cheias.
"Todos os equipamentos implantados aqui são de metal, plástico ou concreto, de modo que, a partir do momento em que o rio baixa, eles podem ser higienizados e se volta a utilizá-los normalmente, sem maiores prejuízos", afirma.
Conforme o município, o último trecho da obra foi entregue em 2023, mas a parte alagável, onde o rio espraia, está em funcionamento desde 2019. A prefeitura afirma que a cidade não registra ocorrências graves relacionadas às chuvas desde então (veja dados mais abaixo).
À CBN Joinville, o chefe de gabinete de Jaraguá do Sul, João Berti, comentou que, só em 2022 e 2023, o município passou por quatro situações que colocaram o funcionamento do parque à prova.
"Os efeitos são sentidos por toda a cidade. O centro da cidade alagava com muita frequência, e não alagou nessas últimas quatro enchentes que tivemos", informou.
A condição do rio, de acordo com o secretário de Obras e Serviços Públicos de Jaraguá do Sul, Otoniel da Silva, é monitorada pelos técnicos da pasta durante os períodos de chuva.
"Quando ele chega à determinada cota, a gente já começa a avisar o setor de trânsito para fazer a interdição da via, e a seguir a gente espera o evento acontecer [o alagamento]. Assim que as águas baixam, a gente já mobiliza toda a nossa equipe para fazer a limpeza e entregar o mais rápido possível para os munícipes utilizarem", explica.
Professor do departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina, José Ripper Kós destaca que os rios naturalmente possuem áreas de inundação que ocorrem nas cheias.
"Nosso problema é que, com a urbanização, começamos a construir nessas regiões. Os egípcios, por exemplo, usavam essas áreas para plantações justamente porque eram regiões mais férteis devido às cheias do Rio Nilo", explica.
Os parques alagáveis, segundo o professor, especialista em alagamentos nas vias públicas e rios canalizados, são feitos em regiões mais baixas que a área urbanizada para aumentar a sessão alagável do rio e reduzir as chances de a água atingir o nível da área urbanizada.
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