UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Estiagem, ciclone, tornado: entenda os fenômenos climáticos extremos que atingiram o RS desde 2023

28/05/2024

O Rio Grande do Sul vem sofrendo com uma série de fenômenos climáticos adversos.
Além das fortes chuvas, que já deixaram ao menos 162 mortos e mais de 580 mil desalojados, o estado enfrentou estiagem, ciclones extratropicais e tornados de um ano para cá.
São tantos eventos meteorológicos em tão pouco tempo que às vezes fica difícil acompanhá-los e entender suas causas e particularidades.
Para ajudar o leitor, a BBC preparou um glossário dos principais fenômenos.

- ESTIAGEM
O estado que hoje enfrenta as maiores enchentes de sua história sofria com a estiagem há um ano.
A estiagem é um período longo sem chuvas ou com poucas precipitações.
Em março de 2023, 356 municípios gaúchos tinham decretado situação de emergência por conta da falta de chuvas.
O cenário era tão grave que o governo federal liberou R$ 430 milhões para uma série de ações emergenciais.

- EL NIÑO E LA NIÑA
O Rio Grande do Sul é um dos Estados mais afetados pelos fenômenos El Niño e La Niña.
O primeiro é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico em sua porção equatorial.
É uma grande "língua" de águas mais quentes que o normal que começa na costa da América do Sul e se estende por um vasto trecho oceano adentro.
A La Niña é o fenômeno oposto: as águas superficiais da porção equatorial do Oceano Pacífico ficam mais frias do que o normal.
Em maior ou menor grau, essas mudanças da temperatura do mar influenciam a circulação atmosférica de diversas regiões do planeta, impactando seus regimes de temperatura e precipitações.
No caso do Rio Grande do Sul, o impacto é evidente: em regra, o Estado tem chuva abaixo do normal em anos de La Niña e chuvas acima do normal quando o El Niño se estabelece.
As tragédias que o Estado tem enfrentado deixam muito claros os impactos dos fenômenos.
A estiagem que castigava o Estado até o começo do ano passado era, em grande medida, resultado de quase três anos seguidos de La Niña. Depois, ao longo de 2023, o El Niño se formou e o cenário se inverteu.
Embora o El Niño esteja em seus últimos momentos no Oceano Pacífico, o fenômeno continuou influenciando a atmosfera agora em maio. Tanto que a tragédia do Rio Grande do Sul tem, como afirma a Metsul, as "impressões digitais" do El Niño.
Uma reportagem do instituto de meteorologia gaúcho explicou que, muitas vezes, o fenômeno causa um período de chuva excessiva justamente no outono do ano seguinte ao seu início.

- BLOQUEIO ATMOSFÉRICO
Ao mesmo tempo em que o Rio Grande do Sul fica debaixo d´água, o Sudeste e o Centro-Oeste do país sofrem com temperaturas altíssimas para o mês de maio.
Até o dia 15, as temperaturas máximas na cidade de São Paulo estavam por volta de 7 graus acima do normal. Uma sequência de dias com temperaturas de trinta graus ou mais no meio do outono é absolutamente excepcional e fez os paulistanos sentirem que estão em janeiro ou fevereiro.
Mas o que isso tem a ver com as chuvas no Rio Grande do Sul?
Pode-se dizer que tudo. O calor persistente no centro do país é causado por uma forte área de alta pressão atmosférica.
É uma espécie de "domo" que inibe a formação de chuvas, impede as frentes frias de avançarem e deixa grande parte da umidade bloqueada no Rio Grande do Sul.
Essa situação levou à formação de diversos fenômenos que causaram a chuva abundante no Rio Grande do Sul.
"Ao longo deste período de bloqueio, tivemos uma área de convecção em formato de ´V´, uma frente fria e uma área de baixa pressão", diz Estael Sias, meteorologista da Metsul.
"O Rio Grande do Sul ficou espremido entre o ar quente do centro do país e o ar polar que não consegue subir. Essa zona de contraste fica produzindo sucessivos fenômenos que despejam água sobre o Estado", explica a meteorologista.
Outro fenômeno muito importante relacionado ao bloqueio é o Jato de Baixos Níveis, ou JBN. Trata-se de um corredor de vento que leva o ar quente do norte da América do Sul para as latitudes mais altas como as do Rio Grande do Sul.
Como o calor serve de "combustível" para tempestades, é comum que as regiões sob a influência do jato sofram com tempo severo.
O problema é que esse jato costuma ondular, o que não vem acontecendo: tem ficado praticamente parado sobre o Estado gaúcho.
"O JBN é um veículo de transporte de umidade e ar quente. Ele contribui para a formação de ciclones, frentes frias e o tipo de instabilidade que enfrentamos", diz Estael.
"Instabilidades que dão origem a tornados também têm conexão com o fenômeno. Para o Rio Grande do Sul, o JBN geralmente está relacionado com eventos extremos", explica a meteorologista.
"Quando uma frente fria consegue avançar, o vento sul passa a predominar. Tem geada, frio e o JBN acaba se dissipando."

Vem saber sobre ciclone extratropical, ciclone subtropical, tornado e geada na Folha de S. Paulo

Novidades

Copa de 2026 pode ser a mais poluente da história, com 7,8 milhões de toneladas de CO₂

25/06/2026

Uma coisa que quase ninguém está falando é sobre o impacto desta Copa do Mundo para o meio ambiente....

Guterres propõe 7 passos para enfrentar as “duas crises” globais

25/06/2026

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou um forte apelo à ação climática duran...

40 mortos por afogamento na França: o que é o ´domo de calor´ que está causando temperaturas extremas na Europa

25/06/2026

Países da Europa Ocidental e Central — entre eles Espanha, França e Reino Unido — emitiram alertas v...

Painéis solares prometem ampliar geração de energia em ferrovias

25/06/2026

Instalar paineis solares removíveis sobre trilhos ferroviários é o novo passo que a Suíça dará na pr...

Asteroide passará perto da Terra na próxima semana e poderá ser visto por telescópios

25/06/2026

Um asteroide de grande porte fará sua maior aproximação da Terra em mais de 400 anos no dia 27 de ju...

França tem dia mais quente desde 1947, e Torre Eiffel e Louvre fecham mais cedo devido ao calor

25/06/2026

A França teve nesta terça-feira (23) o seu dia mais quente desde 1947. A onda de calor alterou a rot...