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Como a ´tecnologia´ do filtro de barro está ajudando a combater o calor extremo

04/06/2024

Nandita Iyer odeia água gelada. E, no entanto, quando as temperaturas dispararam na Índia em maio deste ano, até mesmo na sua cidade natal, Bengaluru, atingindo um recorde, a autora do livro de receitas e blogueira de culinária sabia que precisava fazer algo para se manter hidratada.
Foi então que ela recorreu a um dos seus acessórios favoritos na infância: o matka – um pote de barro composto por dois tipos diferentes de argila e projetado para funcionar como bebedouro em casa.
"Tenho dentes sensíveis, então beber água refrigerada é um choque para o meu sistema; o matka mantém a água fria o suficiente para que bebê-la seja reconfortante", diz ela, lembrando como um pano de musselina molhado em cima do pote ajudou a diminuir ainda mais a temperatura da água.
"Lembrei como essa água naturalmente gelada era agradável nos verões quentes de Mumbai quando eu era criança, então, quando o clima de Bengaluru começou a se comportar como o de Mumbai, decidi comprar um pote semelhante.
A matka tem raízes antigas. Quando a água enche o pote de barro, ela penetra em todos os poros e fendas. À medida que a água presa dentro desses poros evapora, o processo retira lentamente o calor latente da água interna. O pote esfria depois de perder o calor por evaporação e assim a água restante dentro dela também esfria.
Durante séculos, portanto, as zonas rurais da Índia recorreram a potes de barro para as suas necessidades de arrefecimento – com os primeiros registos conhecidos a remontarem à civilização Harappa, há mais de 3.000 anos. No Brasil, os filtros de barro são uma tradição nas cozinhas, sendo usados até hoje para estocar água limpa e fresca.
Como alguém que cozinha muito e autora do livro Everyday Superfoods ("Superalimentos no dia a dia", em tradução livre) Iyer diz que quase não há espaço em sua geladeira para resfriar várias garrafas de água, então sua matka acaba economizando um espaço precioso também.
Mas nos últimos anos, à medida que a Índia enfrenta um calor extremo, a necessidade de frio se torna mais urgente. As ondas de calor na Índia neste verão foram implacáveis, com uma estação meteorológica em Delhi registrando temperaturas de até 52,3°C, o que pode ser um recorde, se confirmada. De 2019 a 2023, a necessidade de ar condicionado em dias muito quentes fez com que a demanda média de energia do país aumentasse 28%.
Com soluções de refrigeração agora vitais para a sobrevivência, a antiga aplicação do barro está encontrando um novo uso muito além das cozinhas domésticas
Terracota significa "terra cozida" em italiano e teve destaque no mundo antigo, desde a cerâmica chinesa e grega até a arte egípcia. Em português, é o nome dado à argila cozida no forno. Em 2014, Monish Siripurapu, fundador e principal arquiteto da CoolAnt, parte do Ant Studios perto de Nova Delhi, se viu recorrendo a esse material antigo com novos olhos.
Um de seus clientes, um fabricante de eletrônicos, teve um problema. Um gerador a diesel nas suas instalações expelia tanto ar quente no espaço entre dois edifícios que o calor era insuportável para os funcionários, causando dores de cabeça e náuseas. Siripurapu queria ver se a terracota, combinada com novas técnicas, poderia ajudar: "Mantendo a natureza como foco central em todo o meu trabalho, quis explorar tecnologias emergentes".
A ideia do matka passou pela cabeça de Siripurapu. "A água no pote de barro é naturalmente fria porque, quando evapora, suga o calor do pote. Mas e se eu invertesse esse processo? Me ocorreu que poderíamos resfriar o ar ao redor do barro da mesma maneira", ele diz. No projeto do Siripurapu, a água reciclada é bombeada sobre a terracota. À medida que a água evapora de dentro dos poros do barro, ela esfria o ar ao seu redor.
Chamado de Beehive, entre 800 e 900 cones de barro foram feitos à mão e organizados pela CoolAnt em um design de favos de mel, montado em torno de uma estrutura de aço inoxidável. "Empilhar os cones como uma colmeia melhora a área de superfície necessária para um resfriamento eficaz", diz Siripurapu.

Leia a matéria completa na Folha de S. Paulo

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