
11/06/2024
Até maio de 2024, a Marinha do Brasil emitiu 10 avisos de ressaca para o Rio e, com a possível chegada do fenômeno climático La Niña em julho, especialistas apontam que o número deve aumentar ainda mais. Ondas fortes atingiram o município de Macaé, no Norte Fluminense, no mês passado, deixando 180 pessoas desalojadas, e, no mesmo período em Itaipuaçu, distrito de Maricá, na Região Metropolitana, vídeos mostrando a água invadindo as ruas próximas à praia circularam nas redes sociais.
Em entrevista ao DIA, Eduardo Bulhões, geógrafo marinho da Universidade Federal Fluminense (UFF), explicou que a La Niña resfria as águas do Oceano Pacífico Equatorial que, mesmo sendo distante do Brasil, gera interferências no clima do oceano que cerca o país, o Atlântico Sul.
"O fenômeno enfraquece os sistemas do oceano que bloqueiam os ciclones geradores de ressaca, permitindo que se aproximem mais do litoral do Rio de Janeiro. No período do El Niño (de mais calor), eles ficam travados. Podemos esperar que aumente a ocorrência e intensidade das ressacas, apesar de só termos confirmação quando elas acontecerem", detalha.
Na cidade do Rio, uma das regiões mais vulneráveis às ressacas é a da Praia da Macumba, no Recreio, Zona Oeste. Bulhões aponta que, por ser um litoral muito exposto, as ondas chegam naturalmente com força, atingindo até cinco, seis metros de altura. No entanto, ele destaca que a área foi fragilizada por projetos de urbanização, em 2005, que construíram ciclovias, quiosques e uma orla de passeio público na faixa da areia e da vegetação de restinga, assim, "sufocando" a praia.
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