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Agrotóxico é detectado em 24 alimentos (incluindo produtos vegetarianos), em nova análise do Idec; veja lista das marcas

11/06/2024

Um levantamento feito pelo Instituto de Defesa dos Consumidores (Idec) mostrou que 12 marcas de alimentos ultraprocessados brasileiros, isto é, produtos que passam por diversos processos industriais e contém aditivos, apresentam resíduos de agrotóxicos.
As informações foram divulgadas no terceiro volume do "Tem veneno nesse pacote". No total, 24 alimentos vendidos em supermercados, entre eles opções vegetarianas -- até 563 agrotóxicos foram analisados.
Dentre os produtos químicos encontrados, o herbicida glifosato foi a substância que mais esteve presente nos alimentos. Já a farinha de trigo, utilizada em grande parte dos produtos, é o ingrediente com a maior prevalência de contaminação com as substâncias consideradas tóxicas à saúde.
Os biscoitos de maisena Marilan e Triunfo, tiveram 4 tipos diferentes de pesticidas cada. Já os macarrões instantâneos Nissin e Renata, hambúrguer à base de plantas Sadia, empanado à base de plantas sabor frango Seara e bolo pronto sabor chocolate Ana Maria tiveram 3 tipos detectados.
O empanado à base de plantas sabor frango Sadia teve resquícios de dois agroquímicos, enquanto o hambúrguer à base de plantas e empanado à base de plantas sabor frango Fazenda Futuro, presunto cozido Aurora, bolo pronto sabor chocolate Panco e bebida láctea de chocolate Pirakids.
Em uma reunião realizada no último dia 29 com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) questionou a agência pela falta de um posicionamento mais firme na regulação dos produtos químicos utilizados na agricultura brasileira.
Ao GLOBO, Leonardo Pillon, advogado do Programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), explicou que a Anvisa ainda é resistente a adotar medidas rigorosas em relação a agrotóxicos e ultraprocessados.
— Para a gente, a agência afirma que estuda e que ainda está estudando como fazer essa mudança de paradigma regulatório, para levar em conta os múltiplos efeitos dos agrotóxicos. O mais importante é que essa informação esteja pelo menos no rótulo ou disponibilizada em algum local aos consumidores. Não podemos deixar que eles sejam expostos sem saberem — Pillon defende.
Em contrapartida, a Anvisa afirmou que o contato com pesticidas pode se dar a partir de resíduos decorrentes da matéria prima utilizada no produto, como frutas, verduras e cereais. E para medir a contaminação destes, se utiliza o Limite Máximo de Resíduo (LMR) de agrotóxicos, medido em parte por bilhão/parte por milhão, ou seja, em tamanhos a nível de partícula, estabelecido para alimentos in natura (que não passaram por nenhum tipo de processamento industrial).
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Contudo, não existe uma regulação de mínimo ou máximo para os ultraprocessados, pois, segundo a agência, não há base conceitual que viabilize isto.
“Uma vez que o LMR é um parâmetro agronômico, ao passo que os parâmetros de referência toxicológicos [que seriam utilizados nos ultraprocessados] são a Ingestão Diária Aceitável - IDA (risco crônico, segurança ao longo da vida) e a Dose de Referência Aguda - DRfA (risco agudo, segurança por cerca de 24h)”, completa, em nota.
Por outro lado, a agência afirma que o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) atua no monitoramento dos níveis de contaminação com os químicos no fubá de milho, farinha de mandioca, farinha de trigo, farinha de aveia e bebida de soja, considerados processados.
A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) pontuou que o setor atende a legislação do país e respeita as normas previstas no artigo 39 da RDC nº 4, de 2012, da Anvisa, o qual prevê o Limite Máximo de Resíduo (LMR).
Para Hilda Duval Barros, professora de nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e especialista em Vigilância Sanitária pela Fiocruz, a segurança dos alimentos só pode ser garantida quando este limite é respeitado.
— O glifosato, citado no relatório, é o agrotóxico mais utilizado no Brasil em alimentos. Um risco real é a junção de vários tipos acima do recomendado no mesmo produto, porque um potencializa o outro e o efeito na saúde se torna acumulativo. Mas isto, apenas quando não se respeita o LMR — analisa Barros.
Pillon adverte que é preciso lembrar que na Alemanha o glifosato é proibido, na França ele é reconhecido como nocivo e nos Estados Unidos ele passa por revisão atualmente.
— Quando você detecta um produto cancerígeno, não interessa o limite, ele é cancerígeno, em qualquer quantidade. A agência tá fugindo do seu papel de proteger — argumenta.

Para ver as repostas das empresas citadas acesse O Globo

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