
11/06/2024
A foto de uma zebra filhote ao lado da mãe fez sucesso entre os internautas. O motivo? Em vez de listras, o potro apresenta bolinhas como padrão de pelagem, o que causou curiosidade na web e intrigou os guias da Reserva Nacional Maasai Mara, no Quênia, onde a zebra foi fotografada.
O animal foi nomeado Tira, em homenagem ao fotógrafo e guia local Anthony Tira, um dos primeiros a avistá-lo. Além das bolinhas, os pelos marrons e a cauda fina do filhote também chamaram atenção nas fotos tiradas em 2019.
Em post no Instagram, o fotógrafo Frank Liu — responsável pelas imagens que viralizaram — disse à época que houve um caso semelhante ao de Tira, mas que a zebra ainda tinha listras e a cauda característica destes animais.
O filhote possui uma condição genética rara chamada pseudomelanismo, mutação em que os animas apresentam um padrão anormal em sua pelagem, afirmou o biólogo e especialista em evolução das listras das zebras Ren Larison ao National Geographic, em 2019.
Apesar do encanto com as bolinhas de Tira, elas também podem ser um problema para a sobrevivência do potro. De acordo com um estudo feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia em 2014, as listras das zebras evoluíram ao longo do tempo para oferecer proteção aos animais contra insetos portadores de doenças mortais.
A equipe de pesquisa também analisou algumas hipóteses diferentes para as listras: a ideia de que poderiam ser uma forma de confundir predadores, um mecanismo de termorregulação, uma forma de camuflagem ou a possibilidade de afastarem insetos. Apesar do estudo americano, as hipóteses para a pelagem diferenciada das zebras não foi atestada cientificamente.
Em 2019, o professor da Universidade da Califórnia Tim Caro — que também foi o principal autor do estudo de 2014 — publicou em 2019 uma nova pesquisa sobre as listras das zebras, reafirmando sua utilidade para evitar doenças transmitidas por insetos.
Independentemente do consenso entre os pesquisadores, Tira pode ter a vida encurtada por conta desta diferença. Entretanto, caso o filhote tenha chegado à vida adulta, especialistas apontam que não há motivos para acreditar que ele não possa conviver entre a manada. Segundo reportagem do National Geographic, estudos na África do Sul apontam que as zebras com pelagem diferente mantêm relações — englobando, inclusive, o acasalamento — normais com o resto.
Fonte: O Globo
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