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Por que o Oceano Pacífico é mais alto que o Atlântico - e como isso afeta o Canal do Panamá

11/06/2024

Entre o Oceano Pacífico e o Oceano Atlântico existe uma diferença de altura de cerca de 20 centímetros. E embora possa parecer uma diferença sútil, tem implicações importantes para a circulação oceânica, o clima global, a navegação e até mesmo grandes obras de engenharia como o Canal do Panamá.
Isto é levado em consideração para estabelecer rotas de navios, operações petrolíferas offshore, pesca, busca e salvamento, contramedidas para derramamentos de óleo e operações marítimas.
Você pode se surpreender ao saber que as águas que banham o Chile, o Peru, o Equador ou a Colômbia são mais altas que as da Argentina, do Brasil ou do Uruguai.
Os oceanos Atlântico e Pacífico se conectam e formam uma massa contínua de água salgada que cobre mais de 71% da superfície da Terra.
Mas se ela é contínua, como os cientistas sabem que existe uma diferença de altura?
"A altura do mar é um parâmetro que pode ser estudado do espaço", explica Susannah Buchan, oceanógrafa e professora visitante da Universidade de Concepción, no Chile, à BBC Mundo.
"Com os satélites você pode estudar temperatura, clorofila... São parâmetros que costumamos ver do espaço para entender diferentes processos físicos que acontecem no oceano e que impactam a biologia marinha", acrescenta.
Para obter uma visão completa da topografia marinha, além da rede de marégrafos que determinam o nível do mar em pontos específicos, os cientistas utilizam medições de satélite.
Satélites de altimetria, como o da NASA e o Jason-3 da Agência Espacial Europeia, enviam pulsos de radar em direção à superfície do mar e medem o tempo que leva para o sinal retornar.
Esta informação permite calcular a altura da superfície do oceano com uma precisão de alguns centímetros.
Os dados, recolhidos ao longo de décadas, permitem a criação de modelos detalhados da superfície do mar, revelando variações de altura à escala global.
Há uma combinação de vários elementos que explicam essa diferença.
Alguns influenciam mais do que outros. As marés ou a atividade vulcânica subaquática, por exemplo, podem afetar temporariamente a altura do mar.
Mas existem forças que tornam a diferença de altura permanente. Confira, a seguir, algumas delas.
O exemplo mais conhecido que os especialistas recorrem para explicar este fenômeno é o da água e do azeite. Se colocarmos os dois elementos num copo, vemos imediatamente que o óleo - que é menos denso - flutua.
"É muito simples. O exemplo do azeite mostra isso, mas se transferirmos para o que acontece no oceano, digamos que colocamos água salgada em um copo e água doce no outro e conectamos os dois recipientes no fundo com um mangueira pequena", indica Osvaldo Ulloa, diretor do Instituto Millennium de Oceanografia do Chile e também acadêmico da Universidade de Concepción.
"Então, poderia-se pensar que a água salgada e a água doce se encontrariam no ponto médio, mas não é o caso. Elas vão se mover um pouco em direção à água mais doce, porque as pressões vão compensar", explica.
Essa densidade, que causa a diferença de altura, se deve à salinidade: o Atlântico é mais salgado que o Pacífico.
"A verdade é que se poderia pensar que, como os oceanos estão ligados, deveriam estar ao mesmo nível. Mas o Atlântico é mais baixo e isso tem a ver com a densidade. O Atlântico é mais denso que o Pacífico, Então, as pressões vão se equilibrar na profundidade. A parte mais densa empurrará um pouco mais a parte menos densa."
Neste ponto, a cordilheira que atravessa a América assume um papel especial.
"A Cordilheira dos Andes, a Cordilheira Costeira, as Montanhas Rochosas na América do Norte, geram uma barreira que provoca mais chuvas no Oceano Pacífico e o torna menos salgado", afirma o especialista.
Esta menor salinidade do Oceano Pacífico contribui para a diferença de altitude.
"Os estudos mais recentes mostram que as chuvas são maiores no Pacífico. A salinidade é uma compensação entre o que evapora e o que chove, ou seja, a água que entra e a água que sai", afirma.

Conclua a leitura desta matéria clicando na Folha de S. Paulo

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