
01/08/2024
Reduzir o impacto ambiental negativo nas cidades faz parte do 11º Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (conhecido pela sigla ODS) da ONU (Organização das Nações Unidas) até 2030.
A importância de atacar localmente as poluições de todos os tipos para frear a crise do clima é consenso desde que os cientistas mostraram que as atividades urbanas são grandes geradoras de gases-estufa. Entre essas atividades, está a crescente geração de lixo.
Em San Francisco (EUA), considerada cidade-modelo de sustentabilidade, o tratamento correto de resíduos está na pauta e na lei desde os anos 1990. Em Xangai, na China, melhorias em logística, multas e recompensas trouxeram mudanças sensíveis na gestão de resíduos nos últimos cinco anos.
Para auxiliar as comunidades a reduzirem o desperdício e a geração de resíduos, organizações como a Cidades Lixo Zero têm ajudado no processo. A ONG, hoje em 24 países, atua desde 2013.
Para fazer parte da rede, a cidade tem de se comprometer publicamente com o objetivo de reduzir a produção de resíduos, melhorar a coleta seletiva e ter sistema verificável de resultados. Uma das cidades referência do movimento é Treviso, na Itália.
Seja em megacidades, como Xangai, seja nas menos populosas, como Treviso, o sucesso das experiências depende de campanhas de esclarecimento e de separação de resíduos em pelo menos três frações, para possibilitar o tratamento de orgânicos.
Cidade referência mundial em compostagem, San Francisco também recupera alimentos em bom estado e os destina à população carente. A cidade tem cerca de 880 mil moradores e estima-se que 1 em cada 4 dos seus habitantes precisa de auxílio para alimentação.
A iniciativa articula negócios como cafés, restaurantes, mercados e hotéis com associações e bancos de alimentos.
Desde o início do programa, em 2019, foram recuperadas quase 9.000 toneladas de comida, que deram para preparar 8 milhões de refeições. Direcionar esses alimentos aos moradores evitou a liberação de aproximadamente 195 toneladas métricas de metano dos aterros (ou 5.460 toneladas métricas de CO2 equivalente).
A redução das emissões e o envio menor aos aterros ajudam a cidade a cumprir seus objetivos de desperdício zero: cortar a geração de resíduos em 15% e o que é enviado para aterros em 50%.
O programa de compostagem da cidade californiana é pioneiro e o mais importante nos EUA. Começou em 1996 como um movimento de comerciantes do mercado central. Na sequência, redes hoteleiras passaram a coletar restos de alimentos para compostagem e, em 2001, foi iniciado um programa-piloto no distrito de Richmond.
Em 2009, foi a primeira cidade do país a exigir a compostagem e a reciclagem através da coleta em três tipos de contentores de cores diferentes colocados nas calçadas: verdes para compostáveis, azuis para recicláveis e pretos para rejeitos.
Atualmente, restos de comida e de podas nas lixeiras verdes viram composto que é vendido aos agricultores locais.
San Francisco também tem uma lei rígida contra o uso de isopor e um programa de devolução de medicamentos vencidos que já desviou cerca de 63 toneladas de aterros sanitários e do descarte indevido no oceano.
Todas essas medidas mostram seus efeitos. A população da cidade cresceu 21% de 1990 a 2020, e as emissões globais do município diminuíram 48%. As projeções atuais são de que alcançará redução de cerca de 61% nas emissões até 2030.
Xangai está turbinando o que promete ser a maior usina de reciclagem de resíduos úmidos do mundo. A cidade de mais de 24,8 milhões de habitantes gera 7.000 toneladas de resíduos orgânicos por dia.
A usina faz parte de um complexo dedicado ao tratamento de resíduos em Laogang, nos arredores de Xangai, onde funcionou um dos maiores aterros da Ásia nos anos 1980. O local abriga também uma incineradora.
Atualmente, a usina tem capacidade de processar 2.500 toneladas de resíduos por dia. Em maio de 2025, quando estiver terminada a fase 3 do projeto, deve pular para 4.500. Da reciclagem de orgânicos, a usina consegue gerar energia, fertilizante e ração animal.
A China, segundo maior gerador de resíduos urbanos do mundo, depois dos EUA, começou um grande plano de mudança na gestão do lixo em 2017, com regulamentos para a triagem de 46 grandes cidades.
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