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Chuvas na Espanha foram 12% mais intensas devido à crise climática, dizem cientistas

05/11/2024

As tempestades que atingiram a Espanha nesta semana foram 12% mais intensas do que aquelas que ocorreram nos mesmos locais antes da revolução industrial, afirmou nesta quinta-feira (31) a WWA (World Weather Attribution), rede de cientistas que estuda o papel das mudanças climáticas em eventos extremos.
A organização acrescentou que chuvas como essas —que provocaram mais de 150 mortes até o momento— se tornaram duas vezes mais prováveis devido ao aquecimento global. Fez, porém, a ressalva de que, dada a natureza recente dos eventos, a análise é um estudo preliminar, uma vez que os especialistas "não usaram modelos climáticos para simulá-los em um mundo sem o aquecimento provocado pelo ser humano".
Pesquisas do tipo geralmente são realizadas ao longo de vários dias ou semanas. Desta vez, disse a WWA, seus membros se concentraram apenas na comparação entre o que ocorreu na Espanha desde a terça-feira (29) e "estudos meteorológicos históricos".
Eles examinaram, assim, dados do passado sobre as precipitações em um único dia no sul espanhol para entender como esses eventos evoluíram desde o período pré-industrial, quando a temperatura do planeta era em média 1,3°C mais baixa do que a atual.
Sua conclusão foi de que as precipitações em um único dia nessa região aumentaram à medida que as emissões de combustíveis fósseis elevaram a temperatura do planeta.
Os cientistas afirmaram, desse modo, que "a mudança climática é a explicação mais provável" para a intensidade das precipitações no país europeu, "já que uma atmosfera mais quente pode conter mais umidade, o que provoca chuvas mais intensas".
Sonia Seneviratne, integrante do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês), disse à reportagem que, embora os achados do estudo não sejam finais, eles são coerentes com as tendências observadas em outras análises reputadas. "O relatório do IPCC também mostra que se espera um aumento das precipitações extremas em nível global", afirmou.
Na Europa, nas últimas semanas, o estrago havia sido na França, assolada por fortes chuvas. Em setembro, países da Europa Central registraram mais de uma dezena de vítimas em seguidas inundações.

Fonte: Folha de S.Paulo

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