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Mapas destacam regiões-chave para reflorestamento

08/07/2025

Um novo estudo trouxe à tona mapas que destacam as melhores oportunidades “ganha-ganha” para o reflorestamento ao redor do mundo, indicando onde é possível plantar árvores para enfrentar a crise climática sem causar prejuízos às comunidades ou à fauna local.
Essas áreas prioritárias incluem regiões do leste dos Estados Unidos, oeste do Canadá, Brasil, Colômbia e toda a Europa, totalizando 195 milhões de hectares (ou 482 milhões de acres). Se completamente reflorestadas, essas áreas poderiam retirar da atmosfera cerca de 2,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano — um volume semelhante ao emitido por todos os países da União Europeia.
Estudos anteriores chegaram a sugerir que áreas ainda mais amplas estariam disponíveis para regeneração florestal, mas enfrentaram críticas por considerar ecossistemas essenciais, como as savanas, e por negligenciar os impactos sobre milhões de pessoas que vivem ou dependem dessas terras.
Os autores dos novos mapas partiram desses trabalhos anteriores, mas optaram por uma abordagem conservadora, com o objetivo de identificar os locais com maior viabilidade e menos riscos associados. Eles focaram apenas em florestas densas, com copa fechada, e eliminaram da análise áreas que haviam sido recentemente afetadas por incêndios florestais. O resultado foi um mapeamento com 195 milhões de hectares — área comparável ao tamanho do México —, o que representa até 90% a menos do que os mapas anteriores. Foram incluídas também alternativas que evitam, por exemplo, possíveis conflitos com populações tradicionais, o que reduz a estimativa de remoção de CO₂ para 1,5 bilhão de toneladas anuais.
Esses mapas são fundamentais, já que o reflorestamento é, atualmente, a forma mais acessível e eficaz de retirar CO₂ da atmosfera. No entanto, os projetos precisam ser realizados em locais estratégicos para gerar os melhores resultados.
“O reflorestamento não substitui a necessidade de reduzir as emissões provenientes dos combustíveis fósseis, mas mesmo que deixássemos de emitir amanhã, ainda teríamos que lidar com o CO₂ já acumulado na atmosfera”, explicou a Dra. Susan Cook-Patton, pesquisadora da The Nature Conservancy (TNC) e autora sênior do estudo, publicado na revista Nature Communications. “As árvores passaram por muitos e muitos anos de evolução para aprender a absorver CO₂ e armazená-lo em forma de carbono. Agora é hora de expandirmos esse potencial.”
Ela acrescentou: “Com o aumento dos desastres climáticos no mundo todo, é cada vez mais evidente que não podemos perder tempo com iniciativas bem-intencionadas, mas mal planejadas. Precisamos direcionar nossa atenção para os lugares que oferecem os maiores benefícios à natureza e às pessoas, e com o menor número de impactos negativos. Este estudo foi feito para apoiar líderes e investidores nessa tomada de decisão.”
O professor Simon Lewis, da University College de Londres, que não participou da pesquisa, comentou: “Diversos estudos anteriores exageraram bastante ao estimar o potencial global de reflorestamento. Este novo trabalho é uma resposta equilibrada a essas estimativas infladas. Se novas florestas forem plantadas nas áreas de menor risco, seria possível remover cerca de 5% das emissões humanas de CO₂ por ano — um número significativo, ainda que longe de ser uma solução milagrosa.”
Além do mapa principal de 195 milhões de hectares, os cientistas criaram variações que priorizam três critérios principais: evitar conflitos sociais, fortalecer a biodiversidade e a qualidade da água, e destacar locais onde já existem metas governamentais de reflorestamento — o que tornaria sua implementação mais viável politicamente.

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