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Estatal baiana apoia retorno de mineradora proibida de atuar em quilombo em novo projeto

10/07/2025

"Esse pessoal só chega com conversa bonita e boa. Eles nunca vão dizer o mal que vão causar e até que ponto vai se estender", critica a agricultora Catarina Oliveira, 52, presidente da Associação da Comunidade de Bocaina, em Piatã (BA), sobre a mineradora inglesa Brazil Iron.
Em 2022, a empresa teve uma mina desativada na região das comunidades de Mocó e Bocaina por irregularidades ambientais e sociais. Agora, investe US$ 5 bilhões (cerca de R$ 27,2 bilhões) em um empreendimento que diz visar a descarbonização da mineração diante da crise climática e seguir "os mais altos padrões ambientais do mundo".
A associação quilombola teme que sua experiência negativa se repita e aponta a participação do Governo da Bahia no projeto –da atuação de uma estatal baiana no empreendimento à de um mediador da Casa Civil que, segundo relatos, teria sugerido a descaracterização da comunidade como quilombola.
O projeto de 430 km², feito em parceria com a estatal CBPM (Companhia Baiana de Pesquisa Mineral), passaria pelas cidades de Abaíra, Piatã e Jussiape, na Chapada Diamantina. Segundo o EIA (estudo de impacto ambiental), acessado pela Folha, envolveria novamente a Bocaina e a mina desativada.
A empresa, por sua vez, defende que quer fazer da Bahia "o novo berço de ferro e aço do Brasil, usando 100% de energia renovável e hidrogênio verde", além de beneficiar as comunidades e o meio ambiente.
Reclamações das lideranças da Bocaina contra a Brazil Iron são apuradas pela DPU (Defensoria Pública da União) e pelo Ministério Público da Bahia em processos sobre infrações do projeto de pesquisa mineral conduzido de 2011 a 2022. Os moradores também movem um processo indenizatório na Justiça inglesa.
Um relatório do Inema, órgão ambiental da Bahia, constatou que a empresa desmatou ilegalmente cerca de 50 hectares de vegetação nativa, inclusive em áreas de preservação, e descumpriu o direito à consulta prévia das comunidades quilombolas.
O documento aponta ainda disposição inadequada de resíduos, falta de estrutura para conter sedimentos, danos a nascentes e cursos d’água, erosão de encostas e a realização de atividades sem licenciamento ambiental adequado.
Os moradores relatam que a empresa teria feito explosões sem aviso prévio, levantando poeira que dificultava a respiração e causando rachaduras nas casas. Também apontam contaminação do solo e da água por metais pesados, confirmada por análises da Ufba (Universidade Federal da Bahia).
"Depois de tudo que vem acontecendo, eu não sei se vale a pena [um projeto de mineração]. Para a comunidade, não fica nada a não ser a destruição, os prejuízos, os roubos, as terras griladas, a desamizade, os problemas psicológicos", diz Catarina.
Segundo a empresa, que nega todas as acusações dos processos, o novo projeto não tem relação com o anterior e pretende construir um complexo industrial de ponta, uma mina, um ramal ferroviário de 120 km, uma planta de pelotização e uma usina do chamado ferro verde. A empresa tem 28 direitos minerários na Bahia, sendo a mina Mocó apenas uma pequena porção do empreendimento inteiro.
A Brazil Iron afirma que já investiu R$ 1,7 bilhão no projeto, gerando 240 empregos diretos, e prevê 55 mil postos de trabalho e arrecadação de R$ 50 bilhões em impostos.

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