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Tartaruga gigante aparece fora de temporada para desovar em praia do ES

10/07/2025

Uma tartaruga gigante (Dermochelys coriacea), conhecida também como tartaruga-de-couro, foi vista ao subir na areia para desovar, na Praia de Jacaraípe, na Serra, Grande Vitória, na noite desta terça-feira (8).
Segundo o biólogo Alexsandro Santos, um período e local atípico, já que a desova da espécie acontece sempre de setembro a dezembro em Regência, litoral Norte do estado, principal local no Brasil, em que a tartaruga-de-couro escolhe para desovar.
Segundo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Fauna e Flora (Ibraff) e pelo Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram), o animal tinha cerca de 1,5 metro de comprimento e 1,2 metro de largura.
O Ipram é o responsável pelo monitoramento de praias na Serra, Fundão e Aracruz. Na areia, a tartaruga foi medida e material genético foi coletado para análise do DNA.
Devido ao rastro deixado na areia, os pesquisadores apontaram que essa foi a terceira vez que a fêmea esteve na praia da Serra, mas a primeira vez em que foi flagrada desovando.
Uma equipe do Batalhão da Polícia Militar Ambiental esteve no local e fez o isolamento da área para garantir a segurança da tartaruga. O órgão orientou a população a manter distância, evitar fotos com flash e barulhos excessivos que pudessem interferir no comportamento e provocar estresse no animal.
A tartaruga gigante é classificada como ‘criticamente ameaçada’ no mundo. Para se ter uma ideia, a Fundação Projeto Tamar estimou que cerca de 20 animais da espécie passaram pelo litoral capixaba no final da temporada de 2024.
Segundo estudos, geralmente, o período de desova é mais constante de setembro a dezembro, então, o animal avistado na Serra esteve na areia em um período que não é comum.
Apesar disso, não significa que a tartaruga esteja com algum problema de saúde, segundo o biólogo Alexsandro Santos, pesquisador da Fundação Projeto Tamar e coordenador de pesquisa e conservação no Espírito Santo.
“Não significa que o animal está doente, com algum problema. Via de regra, quando o bicho está doente, muito debilitado, ele não se reproduz, porque é preciso muita energia para isso, para migrar, depositar os ovos. Essa tartaruga vista, provavelmente, é um animal saudável, mas, um animal fora de época. [...] A gente diz que não sabe se ela está atrasada da última temporada ou adiantada para próxima”, falou Alex.
As fêmeas da tartaruga gigante atingem o período de reprodução a partir dos 14 anos. O intervalo de reemigração, ou seja, a saída da área de alimentação para a área de desova, é a cada dois anos, durante 20 anos.
Em relação ao número de ovos, a tartaruga-gigante bota uma média de 80 a 90 ovos por desova, e o tamanho é equivalente a uma bola de sinuca.
No Espírito Santo, os ovos demoram, em média, de 50 a 60 dias para eclodir, considerando a temperatura da areia, que é o fator responsável por chocar os filhotes.
Tanto as mamães como, posteriormente, os filhotes escolhem o período noturno para desova e saída dos ninhos, para fugir do sol e de predadores. E seguem em direção ao mar orientados pela luminosidade refletida em condições naturais.
A iluminação artificial é uma das principais ameaças ao ciclo de vida das tartarugas marinhas, desorienta os animais que, fora dos seus rumos, podem sofrer com predadores, atropelamentos e desidratação.
“A iluminação não foi, aparentemente, um problema para a fêmea, mas vai ser para os filhotes quando nascerem. Eles [o Ipram] podem optar por transferir os ovos para um local mais escuro, mas, como os ovos da Dermochelys são muito sensíveis ao manejo, podem ficar monitorando e esperar os filhotes começarem a sair para levar para outro local”, explicou Alex.
O Ipram pede para qualquer pessoa que encontrar novamente o animal nos próximos dias, informar o instituto através do número de telefone 27 99970 2576.
A tartaruga-de-couro pode ultrapassar dois metros de comprimento e pesar mais de 700 kg, garantindo seu título como a maior tartaruga marinha do planeta.
Os especialistas apontam que cada fêmea volta a cada dois anos para desovar na mesma praia. E curiosamente, na fase adulta, a partir dos 14 anos, voltam para desovar no mesmo lugar em que nasceram.
No Brasil, a principal região de desova escolhida pela tartaruga-de-couro é no Norte Capixaba, principalmente nas praias de Regência e Povoação, nos municípios de Linhares e Aracruz, área abrangida e protegida pela Reserva Biológica de Comboios, gerida pelo ICMBio.
O trabalho de pesquisa no Espírito Santo é feito com monitoramento das praias, marcação dos animais avistados e com o auxílio de aparelhos de comunicação via satélite.

Fonte: g1

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