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Governo Trump pode fechar observatórios no Havaí que monitoram atmosfera há 70 anos

22/07/2025

A mais de 3.300 metros acima do nível do mar, cercado apenas por rochas negras, nuvens brancas e céu azul, o Observatório Mauna Loa está em um local perfeito para estudar a atmosfera.
O ar que circula ao redor deste posto isolado, localizado em um vulcão no Havaí, nos Estados Unidos, é uma mistura proveniente de todo o hemisfério Norte. Isso o torna um dos melhores lugares para medir gases de efeito estufa na atmosfera. É indispensável para cientistas de todo o mundo.
As leituras coletadas em Mauna Loa, iniciadas em 1958, foram usadas para criar o que é conhecido como a curva de Keeling. É uma linha ascendente que registra o aumento constante de dióxido de carbono nas últimas sete décadas —resultado da queima de petróleo, gás e carvão pelas nações.
Mas o orçamento proposto pelo presidente Donald Trump para 2026 acabaria com Mauna Loa, junto com outros três observatórios importantes e quase todas as pesquisas climáticas realizadas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (Noaa, na sigla em inglês).
"É francamente inconcebível", disse Lisa Graumlich, cientista climática emérita da Universidade de Washington e ex-presidente da União Geofísica Americana. As pessoas conhecem e entendem esse registro "icônico", disse ela. "Muita da ciência que fazemos é incrivelmente complexa, e este registro é algo que pode ser compreendido."
O observatório faz parte de uma rede global de estações que monitoram a atmosfera. As pesquisas realizadas nesses laboratórios permitem que os cientistas avaliem mudanças a longo prazo, descubram o que causou essas mudanças e façam previsões melhores para eventos extremos como ondas de calor, secas e inundações. As estações podem ajudar os cientistas a determinar quais políticas climáticas estão funcionando, quais não estão e se o aquecimento global está acelerando.
"Por que, a um custo relativamente baixo, gostaríamos de perder essa capacidade?", questionou Graumlich.
A consistência na coleta desses registros climáticos é fundamental. "Não é diferente de ir ao médico", disse Rick Spinrad, que foi administrador da Noaa durante o governo de Joe Biden. "Você vai regularmente, faz seus exames de sangue e, se houver alguma mudança, pode detectá-la cedo."
O mesmo vale para os check-ups planetários, disse ele, e é isso que Mauna Loa proporciona. A concentração média de dióxido de carbono, uma das principais causas das mudanças climáticas, aumentou rapidamente, desequilibrando os sistemas naturais do planeta. Os registros de Mauna Loa mostram que subiu de 316 partes por milhão para mais de 430 partes por milhão.
Graumlich estuda as mudanças climáticas desde a década de 1970, quando, ela lembra, os cientistas questionavam se os humanos eram realmente capazes de mudar o clima da Terra. Os dados de Mauna Loa responderam a essa pergunta.
"Tornou-se tão claro que estávamos indo além da variabilidade natural, e que a queima de combustíveis fósseis estava causando isso", disse Graumlich. "Levamos décadas para perceber isso."
Por mais importante que seja o Observatório Mauna Loa, ele não funciona isoladamente. Para ter uma imagem confiável e global dos gases de efeito estufa na atmosfera, os cientistas precisam coletar amostras de vários lugares. A Noaa opera outras três estações de monitoramento —uma no Alasca, uma em Samoa Americana e uma no Polo Sul geográfico— para compilar sua tendência global média de dióxido de carbono.
O orçamento do presidente fecharia todas as quatro estações, eliminando a visão de polo a polo dos gases de efeito estufa dos Estados Unidos. Elas não poderiam ser facilmente substituídas.
"Perderíamos grandes áreas de observação e dificultaríamos a compreensão de onde vêm os gases de efeito estufa e para onde vão", disse Spinrad.
A Noaa recusou um pedido de comentário para a reportagem do jornal The New York Times, dizendo que a agência não comenta sobre o orçamento.
Mas os cortes estão alinhados com a posição do governo Trump de rejeitar os riscos do aquecimento global e acabar com os esforços federais para reduzir as emissões que estão aquecendo o planeta.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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