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Onça-preta é registrada pela 1ª vez em reserva no Cerrado

24/07/2025

A presença de uma onça-pintada melânica (Panthera onca) foi registrada pela primeira vez na Reserva Natural Serra do Tombador, localizada em Cavalcante, Goiás. Também chamada de onça-preta, a espécie foi flagrada por uma armadilha fotográfica nos meses de março, abril e maio deste ano.
A descoberta é considerada um indicador positivo para a preservação da espécie símbolo da fauna brasileira, classificada como “Vulnerável” pela Portaria 148/2022 do Ministério do Meio Ambiente.
A bióloga Mariana Vasquez, gerente da Reserva Natural Serra do Tombador, explica que as armadilhas fotográficas já haviam registrado outras onças-pintadas na reserva, além de outros grandes mamíferos como onça-parda e lobo-guará. “Nunca havíamos registrado a presença de uma onça-preta (onça-pintada melânica) por aqui – nem pelo monitoramento sistemático realizado por câmeras, nem pelo patrulhamento realizado no local desde a aquisição da propriedade, há cerca de 20 anos”, conta. “Nem mesmo os moradores da região tinham avistado esse animal”, completa.
A onça-pintada melânica é uma variação rara do maior felino das Américas. “O melanismo é relativamente raro entre as onças-pintadas, ocorrendo em cerca de 10% dos indivíduos da espécie”, explica o biólogo Roberto Fusco, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e coordenador do programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar. “O melanismo é uma mutação genética que aumenta a produção de melanina – que faz com que o pelo do animal tenha coloração escura -, mas sabemos que, para que nasça uma onça melânica, é necessário que pelo menos um dos pais também apresente essa característica”, complementa.
A descoberta reforça a importância de áreas protegidas, uma vez que a onça foi encontrada dentro de uma área de conservação com cerca de 9 mil hectares criada e mantida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
Os especialistas explicam que as onças costumam percorrer longas distâncias em busca de abrigo, alimento, proteção e locais para reprodução. “São animais solitários, que permanecem com a mãe apenas até os dois anos de idade, e podem se deslocar por uma área que pode ultrapassar 50 mil hectares”, afirma Fusco. “Por isso, é tão importante que as unidades de conservação sejam fortalecidas e que existam corredores ecológicos, garantindo a conservação não só das onças, mas de diversas outras espécies da fauna”, ressalta.
Fusco destaca ainda que a presença de onças na Reserva do Tombador é um forte indício do bom estado de conservação da área e do entorno. “Por ser uma espécie guarda-chuva, que necessita de grandes territórios para sobreviver na natureza, proteger a onça-pintada gera efeitos positivos para muitas outras espécies e, consequentemente, para todo o ecossistema”, explica.
Mariana também acredita que registros como esse contribuem para aumentar o engajamento da comunidade local na conservação da natureza. “Sem dúvida, esses registros de animais raros chamam muito a atenção de quem vive e trabalha no entorno da reserva, reforçando a mensagem de que todos devemos nos empenhar para manter as áreas naturais bem conservadas”, afirma.
Símbolo ameaçado
Maior felino das Américas, a onça-pintada tem maior concentração na Amazônia e no Pantanal e é considerada extinta no Pampa. Nos demais biomas, as populações são menores e estão mais fragmentadas. A fragmentação dos habitats é, por si só, uma ameaça significativa à espécie.
“A onça-pintada sofre com a perda de habitat causada sobretudo pelo desmatamento, mas também com a caça retaliatória, motivada por eventuais ataques a animais domésticos e de criação, e também com os impactos das mudanças climáticas”, explica Fusco. “Os atropelamentos também se tornaram uma ameaça crescente, especialmente no Cerrado. É um desafio que afeta não apenas as onças, mas diversos outros animais silvestres que vivem no bioma”, acrescenta Mariana.
A Reserva Natural Serra do Tombador é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) que protege 8.730 hectares de Cerrado, localizada em Cavalcante (GO). Classificada pelo Ministério do Meio Ambiente como área de extrema prioridade para a conservação da biodiversidade do Cerrado, é a maior RPPN do estado de Goiás. A unidade, que não é aberta à visitação pública, recebe pesquisadores dedicados ao estudo da conservação da biodiversidade, da ecologia do fogo e do Manejo Integrado do Fogo (MIF).
Já foram registradas 437 espécies de plantas e 531 espécies de animais na reserva, algumas delas ameaçadas de extinção. A reserva também é considerada uma Solução Baseada na Natureza (SBN), contribuindo para a proteção de recursos hídricos, a regulação do clima e a fixação de carbono no solo. A unidade de conservação possui ainda papel complementar na proteção da fauna da região da Chapada dos Veadeiros.

Fonte: CicloVivo

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