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Estudo encontra microplásticos em placentas e cordões umbilicais de gestantes brasileiras

29/07/2025

Um estudo piloto conduzido por pesquisadores da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) revelou a presença de microplásticos em placentas e cordões umbilicais de gestantes. Essa é a primeira pesquisa a identificar esse tipo de contaminação no Brasil. Os resultados foram publicados nesta sexta-feira (25) na revista Anais da Academia Brasileira de Ciências.
Para o projeto-piloto, a equipe analisou amostras de 10 gestantes atendidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes e do Hospital da Mulher Dra. Nise da Silveira, em Maceió. Coletados entre junho e outubro de 2023, após os partos, os tecidos foram digeridos com hidróxido de potássio por sete dias. A solução tem a capacidade de digerir a matéria viva do corpo, deixando de sobra apenas as micropartículas.
Em seguida, as sobras foram filtradas e analisadas por espectroscopia Micro-Raman, uma técnica de alta precisão para identificação da composição química das partículas. O processo de filtração é demorado, e, por isso, o procedimento inteiro durou cerca de um ano.
Como resultado, foram identificadas, nas dez pacientes, 229 partículas de microplásticos, das quais 110 nas placentas e 119 nos cordões umbilicais. O material mais encontrado foi o polietileno, presente em embalagens plásticas descartáveis, seguido pela poliamida, comum em tecidos.
Segundo Alexandre Urban Borbely, professor da Ufal e coordenador do estudo, o achado mais preocupante, no entanto, foi a detecção de maior quantidade de microplásticos nos cordões umbilicais do que nas placentas em oito das dez amostras. Isso indica que as partículas atravessam a barreira placentária e chegam até o feto, o que levanta questões sobre os possíveis impactos no desenvolvimento e saúde da criança.
"O plástico é um produto estranho para o corpo, então o que esperávamos como estudiosos da área é que a placenta, uma baita barreira, complicasse isso, para que não chegasse ao feto", diz Borbely.
Ainda não é possível dizer efetivamente quais tipos de alterações os microplásticos podem gerar na formação. Mas a descoberta pode permitir que mais pesquisas sejam feitas nesse sentido. Hoje, esse grupo de pesquisa da Ufal foca em ampliar o estudo, aumentando a quantidade de amostras e testando diferentes populações de gestantes.
"Como o nosso é um número muito reduzido de amostras, eu não quis fazer nenhum tipo de estimativa, porque, estatisticamente, é um número baixo ainda para inferirmos que, na população, isso vai ter um efeito", afirma. Também ainda não é possível codificar o quanto foi passado e para qual local no feto.
Os achados sobre o assunto ainda estão em fases iniciais. Publicação do mesmo grupo de pesquisadores, em parceria com a instituição havaiana University of Hawai’i at Mānoa, em 2023, investigou o tempo de exposição à poluição com plásticos no Havaí e notou um aumento significativo de acúmulo de microplásticos em placentas nos últimos 15 anos.
"No primeiro estudo que fizemos, só 6 de 10 placentas tinham plásticos. Em 2021, todas tinham. Então, a gente imagina que o aumento da poluição ambiental acompanha o acúmulo de contaminantes no corpo", afirma. Segundo os pesquisadores, a contaminação é feita predominantemente por ingestão —por água, alimentos—, pela inalação de ar contaminado e pela absorção da pele por meio de produtos cosméticos.
Outro estudo pré-publicado —que ainda não passou por revisão de pares— feito por pesquisadores americanos relaciona a exposição a microplásticos a nascimentos prematuros. A pesquisa quantificou 12 tipos polímeros de microplásticos e nanoplásticos em 87 placentas de partos a termo e 71 frutos de partos prematuros.
Em relação à placenta, outros estudos populacionais foram publicados em países como Itália, Alemanha, República Tcheca, China, Irã, EUA e Canadá, onde foi observada uma correlação entre o país, fatores geográficos e a presença de microplásticos, incluindo tamanho e tipos de polímeros. No entanto, não havia ainda relatos de acúmulo das partículas em mulheres grávidas brasileiras nem latino-americanas.
O estudo se destaca ainda por focar em uma população socioeconomicamente vulnerável, grupo frequentemente ausente nos estudos internacionais.
O levantamento reforça a necessidade de compreender melhor os efeitos dos microplásticos sobre a gestação e a infância, e destaca a urgência do monitoramento da contaminação por essas partículas em água e alimentos.
"O quanto isso vai afetar o desenvolvimento da primeira infância, a gente não tem como saber ainda. A pergunta é como a gente faz para reduzir, porque obviamente isso vai ter algum efeito. A gente só não sabe ainda qual", diz Borbely.

Fonte: Folha de S. Paulo

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