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Tratado de plásticos pode poupar US$ 200 bi aos cofres públicos

05/08/2025

Tem início nesta terça-feira (5), em Genebra, na Suíça, a etapa final das negociações do Tratado Global da ONU contra a Poluição Plástica (INC-5.2), que segue até 14 de agosto. O tratado pode representar não apenas um marco ambiental inédito, como também trazer uma economia acumulada de até US$ 200 bilhões aos cofres públicos entre 2026 e 2040, segundo estudo encomendado pela Coalizão Empresarial por um Tratado Global para os Plásticos e elaborado pela consultoria Systemiq.
A análise mostra que, caso nenhuma medida seja tomada e o cenário de negócios siga como está (business as usual), a quantidade de resíduos plásticos mal gerenciados praticamente dobrará até 2040. A geração total de resíduos plásticos aumentaria em 68% até o mesmo ano, enquanto a demanda por plástico virgem pode crescer até 50% em relação a 2019.
No entanto, com regras globais que abordem todo o ciclo de vida do plástico, a projeção se inverte. O volume de resíduos plásticos mal gerenciados pode cair 90% até 2040, e a demanda por plástico virgem pode ser reduzida em 30%, em comparação com 2019, ao limitar o uso desnecessário e adotar design para reciclagem e modelos de negócios circulares.
“Estamos novamente diante de um momento decisivo para o futuro do planeta. O acordo não só auxiliará no combate eficaz à poluição plástica, mas também trará ganhos econômicos superiores ao cenário business as usual – uma economia acumulada de cerca de 200 bilhões de dólares nos gastos públicos entre 2026 e 2040”, afirma Luisa Santiago, diretora-executiva da Fundação Ellen MacArthur na América Latina. “Isso é especialmente importante considerando que os custos da gestão de resíduos, por exemplo, já representam um peso orçamentário significativo para as autoridades locais, correspondendo a 10 a 20% dos orçamentos dos municípios em países de baixa e média renda, como o Brasil”, completa.
Até os maiores poluidores globais de plástico pressionam por ambição. Mais de 290 empresas e organizações – entre elas Coca-Cola, SC Johnson, Walmart, Nestlé, PepsiCo, Danone e Unilever – assinaram uma carta aberta pedindo a finalização urgente do tratado. As companhias defendem a inclusão de medidas como a eliminação de plásticos problemáticos, critérios globais de design e a responsabilidade estendida do produtor.
Para a América Latina e o Caribe, a transição justa é um ponto central das negociações no Tratado de Plásticos. O estudo da Systemiq projeta que a região precisará de cerca de US$ 50 bilhões adicionais em gastos públicos para expandir sistemas de gestão de resíduos. Por outro lado, o tratado pode gerar uma economia anual de até US$ 1 bilhão apenas com resíduos plásticos.
“O Brasil, como país mais populoso da região e liderança natural no cenário latino-americano, tem um papel estratégico em puxar essa discussão e assegurar que os países em desenvolvimento não fiquem para trás nessa agenda global. Uma transição justa não apenas promove maior equilíbrio entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, como também minimiza os impactos sobre as comunidades mais vulneráveis, reconhecendo e valorizando o papel essencial de atores como os catadores de materiais recicláveis em toda a cadeia do plástico”, ressalta Luisa Santiago.
O tratado é considerado o maior acordo ambiental desde o Acordo de Paris (2015). As negociações, iniciadas em 2022, visavam a criação de um documento juridicamente vinculante até o fim de 2024. No entanto, o avanço tem sido dificultado pela resistência de países com interesses na indústria petroquímica. A última rodada, em Ottawa (Canadá), foi criticada pela falta de ambição do texto-base.
Entre os principais pontos em debate estão a limitação da produção de resinas plásticas, a eliminação gradual de itens descartáveis, a proibição de aditivos tóxicos e a harmonização de normas globais de design. Também é reivindicada a criação de um mecanismo financeiro para apoiar países em desenvolvimento e a garantia de uma transição justa com reconhecimento e inclusão dos trabalhadores da cadeia do resíduo, como catadores, comunidades afetadas e povos indígenas.

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